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Crise desacelera aumento de preços de terras no Brasil

Valorização em 12 meses foi de 12,5% em termos nominais; descontada a inflação, porém, houve leve deflação

Venilson Ferreira, da Agência Estado,

24 de novembro de 2008 | 13h19

A crise financeira global, que provocou restrição no crédito e queda dos preços das commodities agrícolas, começa a afetar o mercado de terras no Brasil. Nos últimos doze meses, a valorização média dos preços das terras foi de 12,5% em termos nominais. "Descontando-se a inflação no período, houve ligeira queda de 0,1% em doze meses, o que significa que já começa a haver perda de patrimônio", diz Jacqueline Bierhals, analista de mercado da consultoria Agra FNP. Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Segundo o levantamento da Agra FNP, no bimestre setembro-outubro o preço das terras na média foi de R$ 4.341/hectare, praticamente estável em relação ao bimestre anterior (julho-agosto), quando a média foi de R$ 4.334/hectare. O levantamento mostra que na média de 36 meses atrás (R$ 3.082/hectare), verifica-se que a valorização foi de 40,9%. Diante de uma inflação acumulada de 23,6% no período, chega-se a um ganho real de 5,4%. Jacqueline Bierhals comenta que "o momento é de espera, de suspensão dos negócios até que a verdadeira extensão dessa crise seja conhecida". O impacto maior da crise é nas áreas localizadas nas novas fronteiras agrícolas, principalmente na região conhecida por Mapito (Maranhão-Piauí-Tocantis) e o no oeste baiano, onde se concentra os investimentos de grupos estrangeiros na compra de terras. "A maioria dos negócios engatilhados foi adiada para o início de 2009, mas nada garante que esse prazo não venha a ser estendido. Vale ressaltar, contudo, que não houve queda nos preços na região", diz Jacqueline.  Apesar de o agronegócio do Centro-Oeste ser o mais atingido pela crise financeira, por causa da queda dos preços que acentua o alto custo da logística, a região foi a que apresentou a maior valorização em 36 meses nos preços das terras. Na comparação com doze meses, o aumento mais expressivo foi na região Sul, com alta de 23,8%. A analista observa que o mercado de terras sempre deve ser analisado em longo prazo. "Aparentemente, os investidores tanto estrangeiros quanto nacionais continuam enxergando nas terras agrícolas do Brasil uma boa oportunidade de investimento. Particularmente as terras voltadas à agroenergia são muito promissoras no que tange à perspectiva de valorização", diz Jacqueline.  No caso das terras de cana-de-açúcar, enquanto os preços caem em São Paulo pressionados pelas vendas de canaviais pelas usinas e redução das margens no setor, na região Nordeste houve valorização. O estado de Pernambuco teve uma representativa correção no preço de suas terras em um ano, e as valorizações chegaram a atingir mais de 150%.  Jacqueline Bierhals afirmou que os produtores de grãos, os que mais negociam terras no Brasil, devem continuar com uma atuação bastante limitada, "devido ao peso de dívida e à forte restrição de crédito". Segundo ela, a liberação de R$ 1 bilhão pelo BNDES para recuperação de áreas degradadas pode vir a trazer algum ganho patrimonial aos donos de terras. "Ainda assim, essa medida não deve impedir que alguns produtores venham a se desfazer de seus imóveis para liquidação de suas dívidas, o que abre uma boa perspectiva de negócios para aqueles que estejam capitalizados e programados a expandirem suas áreas de cultivo."  Jacqueline Bierhals diz que nos próximos meses pode haver problemas graves no Mato Grosso, em função do endividamento, que pode incluir o confisco de fazendas, a exemplo o que está ocorrendo atualmente com a retomada de máquinas agrícolas pelos agentes financeiros.

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