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Crise deve atingir classes C e D depois do Natal, diz pesquisa

Dados apontam que gastos em telefonia, lazer e vestuário serão os primeiros a ser cortados pelos consumidores

Anne Warth, da Agência Estado,

12 de novembro de 2008 | 17h49

Os efeitos da crise financeira mundial ainda não chegaram ao bolso dos brasileiros das classes C e D, mas empresas das áreas de telefonia celular, cartão de crédito, lazer, vestuário e concessionárias de serviços públicos devem se preparar. O Natal está garantido. Depois disso, se esses consumidores, que responderam pelo crescimento do consumo no País via crédito, perceberem sinais de que a crise se agravou, começarão a economizar e já elegeram gastos nessas áreas como os primeiros a serem cortados ou fortemente reduzidos a partir de 2009. A compra do carro e da casa, itens que representam a inserção definitiva das classes C e D na classe média, também ficará para depois. Veja também:Economista aconselha reduzir gastos no Natal e poupar 13ºDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Essa é uma das conclusões da pesquisa "Retratos da Crise: As Classes C e D em Estado de Alerta", feita entre os dias 25 e 31 de outubro pela agência de propaganda McCann Erickson e pelo instituto Data Popular, com 1.720 pessoas das classes C e D em capitais e grandes cidades de sete países da América Latina - Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Honduras, México e Panamá. A agência consultou pessoas entre 24 e 60 anos, com renda entre R$ 607 e R$ 3.033, com o objetivo de orientar as empresas que atendem a respeito do que fazer e como se comunicar com esse público, considerado o motor da economia brasileira. A pesquisa mostra que os consumidores das classes C e D, que representam 54% da população brasileira, ainda não sentiram os impactos que a crise pode ter no País e em suas famílias, mas estão apreensivos, sobretudo pela influência das notícias veiculadas sobre o assunto pela mídia. Entre os efeitos que acreditam que afetará diretamente em suas famílias, 36% acham que o consumo vai diminuir, devido ao aumento dos preços dos produtos, e 32% pensam que o desemprego vai aumentar e pode afetar sua capacidade de honrar pagamentos. Nesse contexto, 66% dos consultados pretendem cortar despesas, e gastos considerados insignificantes para a formação de renda estão no topo da lista dos cortes dos consumidores das classes C e D. Em primeiro lugar na lista de cortes está o cartão de crédito, citado por 27% dos entrevistados; lazer está em segundo lugar, citado por 14%; celulares estão em quarto lugar, citado por 10%; e vestuário está em quinto lugar, citado por 9,6%. Contas e gastos públicos, embora não façam parte da lista dos supérfluos, aparecem em terceiro lugar na lista dos cortes prioritários dos consumidores, citados por 12%. Cerca de 60% dos consultados já considera a possibilidade de adiar compras. Entre os investimentos que ficarão para depois por conta da crise estão aqueles que representam a inserção definitiva da população na classe média: carro e casa. 48% dos entrevistados vão adiar a compra ou a reforma da casa e 25% vão postergar a compra do carro. Para o vice-presidente de Planejamento da McCann Erickson Brasil, Aloísio Pinto, a pesquisa mostra que o consumidor emergente, da era das facilidades do crédito e do consumo, será substituído por um comprador muito mais criterioso e conscientizado, que precisará ser muito bem convencido antes de realizar uma compra. E o desempenho bom ou ruim das empresas em 2009 dependerá da adaptação a esse novo consumidor. O Natal desses consumidores está garantido, mas será considerada a "avant première" desses novos hábitos. A maioria (61%) não fará alterações na festa da véspera de Natal, mas para 66% dos consultados, os presentes serão substituídos por lembranças, e para 55% deles, as férias terão de ser repensadas. Depois do Natal, 75% vão partir para a renegociação das dívidas. Os sinais de que a crise chegou, para a maioria, são o desemprego (46%), o aumento da inflação (32%) e a incapacidade de pagar compras e dívidas (20%). Para 69%, a crise deve durar de seis meses a um ano. "A crise ainda não tem força suficiente para esmaecer o espírito natalino. Por outro lado, se a situação apertar, alguns agentes correm os riscos de ter que bancar essa alegria toda. E entre eles estão os gastos com os serviços públicos", conclui a pesquisa. "A surpresa do Natal pode chegar em janeiro. A expectativa da crise definirá os hábitos de 2009", declarou Pinto. A pesquisa revelou um dado curioso sobre o comportamento dos brasileiros. Entre os entrevistados dos sete países, 80% acreditam que a situação de seu país está igual ou pior do que nos últimos seis meses. Mais de 90% dos brasileiros acreditam que a crise afetará o Brasil - dos quais consideram que os impactos serão fortes e 37,9% acham que os efeitos serão fracos. Para 88%, suas famílias não passarão incólumes e sofrerão as conseqüências da crise. Ainda assim, os brasileiros são os mais otimistas - 52% acham que outros países sofrerão mais que o Brasil, enquanto os demais consumidores latino-americanos tem a percepção de que seu país sofrerá mais que os outros. "Os brasileiros são os únicos da América Latina que se sentem menos vulneráveis em relação à crise", observou Pinto.

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