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Crise deve bloquear verba para os ministérios

A equipe econômica, como boa parte dos economistas de dentro e fora do governo, ainda não sabe qual é a extensão da atual crise que se iniciou nos Estados Unidos e atingiu os mercados globais. Mas o Ministério da Fazenda tem pelo menos uma carta na manga, na área fiscal, que poderá ser usada na tentativa de indicar posição de maior austeridade diante da turbulência no mercado financeiro. Com os excessos de arrecadação dos últimos meses, o governo federal acumulou uma reserva financeira de R$ 9 bilhões, que poderia ser liberada até o fim do ano, a conta-gotas, para os ministérios gastarem e que, agora, deve permanecer bloqueada. Internamente, o governo já vinha administrando com cautela essa reserva, tanto que os superávits primários dos últimos meses vinham batendo recorde, mas publicamente o discurso era de flexibilização das metas fiscais e de ampliação dos investimentos para fazer o crescimento deslanchar.Tudo isso o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pretende dizer ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a seus colegas ministros, na reunião da coordenação política do governo, marcada para esta segunda-feira, a partir das 9h30, no Palácio do Planalto. Depois da reunião do conselho, Mantega permanecerá no Planalto, onde deverá despachar com o presidente Lula, agora já sabendo de como foi o comportamento dos mercados asiáticos durante o dia e da abertura das bolas européias, americana e brasileira.Com a crise, a equipe econômica pode ter de adequar seu discurso. Em termos práticos, o bloqueio da reserva financeira pode fazer o investimento de 2006 ficar abaixo dos R$ 24 bilhões planejados, mas a princípio a redução deve se concentrar em obras menos prioritárias, como as previstas por emendas parlamentares, focadas em projetos nos Estados e municípios.Normalmente, o governo administra a liberação do dinheiro das emendas de acordo com as pressões do Congresso, tentando adiá-la, sempre que possível, para o final do ano. O cenário internacional, entretanto, pode ser uma boa desculpa para a equipe econômica bloquear este ano o dinheiro reivindicado pelos parlamentares.

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