Crise do álcool pode afetar credibilidade do País, diz ministro

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, alertou nesta quarta-feira os usineiros que a escalada de alta dos preços e a crise na oferta de álcool no mercado interno podem afetar a credibilidade do País como fornecedor internacional do combustível.Ao lançar a safra antecipada de cana-de-açúcar 2006/07 em São Tomé, no noroeste do Paraná, ele avisou a uma platéia onde estavam vários líderes dos usineiros, que o mercado mundial está de olho no Brasil. "A oportunidade que se abre para o Brasil para ser o grande fornecedor mundial de açúcar e álcool não tem precedentes na história moderna da agricultura mundial", disse.Lembrou que o Brasil pode, em 10 anos, ampliar de 6 milhões de hectares para 9 milhões a área cultivada com a cana, mas ressaltou que é preciso ter competência. "O mundo todo olha o Brasil hoje como eventual fornecedor de etanol, mas se preocupa com nossa capacidade de responder à demanda internacional." Segundo ele, há dúvidas no exterior se o Brasil vai produzir álcool ou açúcar para a exportação. "Estamos mostrando para o mundo que é possível produzir antecipadamente, ainda que com sacrifício financeiro, para atender a compromissos firmados com a sociedade brasileira."A destilaria Cocamar foi a primeira a iniciar a moagem de cana, atendendo a solicitação do governo para suprir o mercado com até 900 milhões de litros de álcool durante a entressafra, que termina em abril. Na verdade, segundo o presidente Luiz Lourenço, isso já vem sendo feito há alguns anos. A moagem, aliás, começou sem o ministro: as moendas estavam ligadas desde a manhã e o lançamento foi apenas simbólico.Nem o ministro, nem o presidente da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, quiseram prever quando os preços vão cair. "Não faço futurologia", disse Rodrigues, salientando que a antecipação da safra em 900 milhões de litros, mais os estoques de 1,5 bilhões de litros nas mãos das usinas, devem atender a demanda. Ele espera um equilíbrio maior do mercado e possível redução de preços a partir de maio, quando a oferta cresce além da demanda.O ministro, que visitou de carro um canavial onde a cana era colhida também inaugurou uma placa marcando o início da safra e plantou um pé de cana. Ele evitou ser duro com os usineiros e disse que considerava que o acordo feito em janeiro, quando a classe havia se comprometido a manter o álcool nas usinas no patamar máximo de R$ 1,05, havia sido parcialmente cumprido. "O preço não foi possível segurar, por razões já explicadas, mas a antecipação da safra está acontecendo."O presidente da Unica voltou a afirmar que não houve rompimento do acordo de janeiro, mas o descumprimento por parte do setor. "Como ficou impossível controlar, informamos isso ao governo."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.