Hélvio Romero/ Estadão
Hélvio Romero/ Estadão

Crise do combustível pode deixar estradas vazias durante feriado prolongado

Secretaria de Logística e Transportes do Estado vai mobilizar 383 viaturas e 600 profissionais para fiscalizar as rodovias durante feriadão; em Campos do Jordão, a expectativa é de redução de 50% no número de turistas

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2018 | 14h43
Atualizado 30 Maio 2018 | 18h42

SOROCABA - A crise no abastecimento de combustível deve deixar as estradas paulistas mais vazias que o esperado durante o feriado prolongado de Corpus Christi, nesta quinta-feira, 31. De acordo com a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), as concessionárias não fizeram previsão de tráfego nas estradas concedidas "em virtude das condições atípicas provocadas pela greve dos caminhoneiros e consequente desabastecimento de combustível em todo o País." No mesmo feriado do ano passado, cerca de 3 milhões de veículos circularam nessas rodovias.

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Ainda conforme a agência, as concessionárias vão disponibilizar recursos e mobilizar efetivo para atendimento aos usuários "a depender da demanda apresentada, sem nenhum prejuízo das condições de segurança". Um dos atendimentos mais requisitados tem sido a falta de combustível nos carros, a chamada pane seca. Desde o início da greve, somente no Sistema Anhanguera-Bandeirantes, um dos principais corredores viários do interior, a concessionária atende cerca de 40 casos diários de carros parados sem combustível, 75% a mais que o normal.

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Em rodovias paulistas operadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), não foram previstos horários de pico no trânsito para os próximos dias, como acontece às vésperas dos feriados prolongados. De acordo com a Secretaria de Logística e Transportes do Estado, mesmo sem previsão de maior movimentação, em função da greve, a pasta vai mobilizar 383 viaturas e 600 profissionais para fiscalizar as rodovias durante os quatro dias do feriadão. A Polícia Rodoviária Estadual fará operação nas vias de acesso à região serrana de Campos do Jordão, como a rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP 123).

Turismo. A falta de combustível em razão da greve dos caminhoneiros deve causar uma redução de 50% no número de turistas que visitarão a cidade de Campos do Jordão neste feriado de Corpus Christi, segundo a prefeitura da cidade. Dos 250 mil visitantes esperados, a expectativa é de que 125 mil subam a serra até o domingo, 03.

Muitos turistas cancelaram as reservas nos hotéis com medo de ficarem sem combustível. Nesta quarta-feira, 30, a prefeitura garantiu que o abastecimento está sendo normalizado. O município, na Serra da Mantiqueira, é o principal destino turístico durante o inverno paulista.

Até o início da semana passada, a Associação da Hotelaria e Gastronomia (Asstur) trabalhava com uma taxa de ocupação semelhante à do ano passado, que foi de 98%, e prevê queda de 40%. Os dez dias de greve dos caminhoneiros, no entanto, levaram a uma nova previsão. “Agora, estamos prevendo uma ocupação de 50%, no máximo 60%”, disse o presidente Luis Pedro Nathan.

A queda é um reflexo da falta de combustível nos postos, já que a maioria dos visitantes vai à cidade de carro. “Com esta demora na solução da greve estamos tendo muitos cancelamentos, o que é compreensível. As pessoas querem ter a segurança do abastecimento”, disse Nathan. Segundo ele, o feriado de Corpus Christi é o mais importante do ano para a cidade por ser a abertura da temporada de inverno. “Nos três anos anteriores, tivemos temporadas muito boas, por isso a expectativa era grande. O sentimento é de frustração, pois mesmo com o fim das paralisações, a volta do combustível vai demorar.”

A rede hoteleira se preparou antecipando a contratação de mão de obra temporária para a temporada. De acordo com o Sindicato dos Bares, Hotéis e Restaurantes, o quadro de funcionários ganhou reforço de até 20%. A cidade dispõe de duzentos hotéis e pousadas, além de cerca de 300 restaurantes. Os temporários são contratados entre janeiro e fevereiro e passam por treinamento.

“Já estávamos com pessoal extra contratado desde o feriado de Tiradentes. Agora, é torcer para que a situação se normalize logo”, disse Osvaldo Duarte, gerente de um restaurante na Vila Abernéssia. Alguns hotéis passaram a dar um dia extra na estadia, na tentativa de manter as reservas ou atrair novos turistas.

A corretora de imóveis Isabel Rodrigues de Sá, de Sorocaba, tentou cancelar a reserva de três diárias num hotel da Vila Capivari, mas ouviu uma proposta tentadora. “Ofereceram traslado para os pontos turísticos e um dia a mais de hospedagem, tudo de graça. O combustível está contado, mas nós decidimos arriscar”, disse. O prefeito Frederico Guidoni Scaranello (PSDB) se reuniu com representantes do setor nesta quarta-feira e disse que o cenário melhorou. A cidade vem recebendo combustível nos postos e a distribuição de gás de cozinha está normalizada.

“Hoje (quarta-feira) recebemos mais quatro carretas com combustíveis e a demora nos postos para abastecer já é bem menor. As cidades da região também voltaram ser abastecidas e isso aumenta a margem de segurança das pessoas. É importante que o visitante saiba que pode ter combustível para voltar para casa.” Conforme Scaranello, não há bloqueios nos acessos à cidade e os serviços voltaram ao normal. “Todas as unidades de saúde, incluindo o pronto-socorro, estão com atendimento normal.

A coleta de lixo está normalizada em todos os bairros e estamos com o transporte coletivo operando normalmente.” Segundo eles, os hotéis decidiram dar uma diária grátis para quem quiser ficar até segunda-feira e voltar com mais segurança para casa. Alguns estabelecimentos oferecem traslado para grupos de turistas de São Paulo. “Esse é um feriado tradicionalíssimo, há muitos anos as pessoas vêm e uma parte fica mais tempo, para aproveitar a temporada. Apesar dos problemas causados pela paralisação (dos caminhoneiros), nenhum evento cultural, artístico e festivo foi desmarcado. A cidade está pronta para oferecer um belíssimo feriado aos visitantes”, disse.

Por outro lado, o fim da greve dos caminhoneiros fez crescer a expectativa de bom público para as comemorações do Corpus Christi, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. A tradicional festa religiosa completa 50 anos e estava ameaçada pela falta de combustível nos postos, situação que, segundo a prefeitura, praticamente já se resolveu.

Os postos foram abastecidos nesta quarta-feira e, embora houvesse filas, a previsão era de normalização do fornecimento até o feriado desta quinta. No ano passado, 50 mil visitantes estiveram na cidade. Com a greve, a expectativa de público havia caído 50%, mas a prefeitura já fez nova revisão e agora a expectativa é de que o número de turistas seja o mesmo de 2017.

Durante a semana, houve problemas também na chegada de 50 toneladas de serragem e outros componentes que serão usados no enfeite das ruas por falta de combustível para o transporte. De acordo com a prefeitura, tudo foi solucionado e os 850 metros de tapetes coloridos que vão cobrir as ruas do centro histórico começam a ser confeccionados às 6h30 da manhã.

+++ Ao vivo: greve dos caminhoneiros

Federais. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que, devido à greve dos caminhoneiros, este ano não haverá uma operação específica para o Corpus Christi. A PRF dará sequência ao trabalho desenvolvido nos desbloqueios de rodovias, por conta das manifestações de caminhoneiros, para manutenção do fluxo rodoviário. "Dentro de nossas possibilidades, serão realizadas ações de fiscalização e de ostensividade para a prevenção de acidentes", informou, em nota.

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