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Crise do governo Dilma com base aliada já está no radar dos analistas

'Grande desafio de Dilma não é político, mas sim econômico' diz presidente da Arko Advice; avaliação consensual é que imbróglio não deverá contaminar os ativos financeiros

Elizabeth Lopes e Silvana Rocha,

30 de março de 2012 | 18h39

SÃO PAULO - A crise envolvendo as relações do governo da presidente Dilma Rousseff com sua base aliada no Congresso Nacional começa a chamar a atenção de analistas e investidores do mercado financeiro, mas a avaliação consensual é que este imbróglio não deverá contaminar, pelo menos por enquanto, os ativos financeiros. "O grande desafio de Dilma não é político, mas sim econômico. O que se espera dela é o crescimento da economia, isso é o que todos querem de seu governo", afirma o cientista político Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice.

Como neste ano o Brasil tem eleições municipais, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, diz que não se espera decisões agressivas do governo, em termos de mudança na lei. A incógnita para o mercado financeiro, segundo ele, é 2013, quando estará configurada a formação de um novo mapa na política municipal do País e será necessário uma reavaliação do quadro de sustentação do governo. Mas na questão política Murillo de Aragão é taxativo: "Se a crise com a base chegar a um nível insuportável, o ex-presidente Lula interfere e resolve, aliás, algo que ele já está fazendo".

A elevada popularidade da presidente Dilma Rousseff e a ampla maioria do governo no Congresso são pontos positivos lembrados pelo analista Christopher Garman, diretor para América Latina da consultoria Eurasia Group, em Washington. Ele destaca que o governo tem uma situação confortável no Congresso, com ampla maioria, enquanto a oposição dá sinais de desidratação. Por isso, apesar de o tema já estar sendo tratado pelos analistas do mercado financeiro, Garman acredita que ele não terá impacto no preço dos ativos. "Todo stress tem limite e o governo sempre terá instrumentos para apaziguar a base aliada. Essa crise não vai afetar a governabilidade e apesar de estar no foco de atenção dos analistas brasileiros, não deverá chegar ao radar dos investidores estrangeiros," diz.

Autofagia

Se no curto prazo, a crise da base aliada não tem potencial para mexer com os mercados, o risco político futuro também não está descartado na avaliação do cientista político e professor do Instituto de Ensino e Pesquisas (Insper), Carlos Melo. Ele afirma que a crise que atinge as relações do governo da presidente Dilma Rousseff e sua base aliada está longe do fim e deverá voltar a preocupar o mercado no final deste ano. "Com uma base grande, heterogênea e contraditória como esta e com um governo sem ação, vontade e projetos, não descarto que teremos mais crise pela frente. Além disso, a base aliada está à deriva e à mercê de sua própria autofagia", adverte.

Melo prevê que assim que terminar o pleito municipal, a agenda política já estará focada no processo eleitoral de 2014 e sem a solução dos atuais conflitos, a agenda negativa tende a ficar mais acentuada.

 Embora o tamanho e a heterogeneidade da base aliada podem representar um desafio a ser administrado pela presidente Dilma Rousseff, o engenheiro e economista Michal Gartenkraut, da Rosenberg&Associados diz que isso não é um problema para o mercado. Ele avalia que a despeito de todo imbróglio, a presidente Dilma está segurando os gastos, tornando o orçamento e o número de cargos insuficientes para atender à pressão de todos os partidos aliados. Mas ao mesmo tempo vem obtendo, com essa atitude, elevados índices de popularidade.

A percepção do economista Roberto Padovani, da Votorantim Corretora, é que não existe uma crise de governabilidade e o mercado financeiro vê a divisão na base aliada do governo como um ruído político. Na sua opinião, o fato de existir hoje no Brasil uma democracia com economia relativamente aberta reduz a chance de ruptura na gestão econômica. "O mercado aprendeu que dificilmente o ambiente político altera as regras econômicas, na forma de conduzir a política monetária, cambial e fiscal. Assim, essas disputas tendem a continuar restritas ao ambiente político", afirma.

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