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Crise do principal banco de Portugal afeta mercado europeu

Controladoras da instituição atrasaram pagamentos de curto prazo, o que desencadeou onda de venda de ações do grupo, que tem atuação no Brasil

Lucas Hirata, Agência Estado - Texto atualizado às 15h15

10 de julho de 2014 | 09h27

SÃO PAULO - As preocupações com a saúde financeira da maior instituição bancária de Portugal, o Banco Espírito Santo (BES), pressionaram as ações do setor financeiro em toda a Europa nesta quinta-feira, 10. O índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 1,06%, aos 336,37 pontos, marcando o quinto dia seguido de recuos.

A forte onda vendedora foi desencadeada pela divulgação de uma série de problemas nas empresas controladoras do banco. A tendência de baixa também foi direcionada pela queda na produção industrial da Itália e da França e pelo aumento do déficit comercial do Reino Unido.

Desde maio, as ações do Banco Espírito Santo têm sido alvo de vendas diante da divulgação de irregularidades nas contas das companhias controladoras da instituição. As perdas se estenderam nesta quinta-feira, depois que os investidores foram informados de que o Espírito Santo International (ESI) atrasou pagamentos de cupons relativos a alguns títulos de dívida de curto prazo.

A ESI está considerando um pedido de proteção judicial contra credores, em Luxemburgo, onde tem sede, se não conseguir chegar a um acordo de renegociação da dívida, segundo o site de notícias 'Económico', de Portugal. A publicação explica que a "insolvência controlada" permite tentar uma recuperação do grupo sob proteção da justiça, mas poderá implicar no afastamento dos representantes da família Espírito Santo da gestão, devido às irregularidades de contabilidade que foram detectadas na ESI e que estão sendo investigadas pelas autoridades de Luxemburgo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) buscou minimizar o possível impacto da crise do Banco Espírito Santo (BES) no sistema bancário de Portugal, mas alertou que há focos de vulnerabilidades no país. A instituição negou-se a comentar individualmente sobre o BES.

Em reação, o regulador dos mercados portugueses suspendeu hoje os negócios com ações do BES e da holding financeira Espírito Santo Financial Group (ESFG), cujas ações caíam 17,24% e 8,85%, respectivamente, antes da determinação.

Outro alvo desta crise são as ações da Portugal Telecom (PT), que está em processo de fusão com a Oi. A PT informou recentemente que fez um investimento de 897 milhões (R$ 2,7 bilhões) em papel comercial da Rioforte, companhia em dificuldade financeira do Grupo Espírito Santo, que, por sua vez, é dono de 10,05% da operadora. Esta exposição tem castigado os papéis da PT, que hoje caíram 6,80%, renovando mínimas históricas durante o pregão. Com isso, o índice PSI-20, de Lisboa, encerrou o dia com perda de 4,18%, aos 6.105,24 pontos, a maior queda desde julho de 2013 e o nível mais baixo de fechamento desde outubro.

Analistas do Royal Bank of Canada (RBC) destacaram que os problemas relacionados com o Grupo Espírito Santo podem ter um impacto muito maior sobre a economia de Portugal, se persistirem.

"Embora este caso seja provavelmente algo isolado, ele destaca claramente as dificuldades na saída inicial de programas de resgate, enquanto a economia, o sistema bancário e as finanças públicas ainda estão em um estado instável", escreveram em uma nota.

A repercussão na turbulência portuguesa se estendeu em toda a Europa. As ações listadas em Londres do Barclays caíram 1,65%, enquanto, em Frankfurt, as perdas dos papéis do Commerzbank e Deutsche Bank ficaram em 2,29% e 1,94%, respectivamente. Em Paris, as ações do BNP Paribas perderam 1,40% e do Société General, -2,15%. Com Agências Internacionais

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