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Crise dos sócios deixa Mercosul ainda mais frágil

Desde que começou a operar como um bloco econômico, em 1994, nunca o Mercosul se viu tão fragilizado como nos dias de hoje. Se há três anos os contenciosos provocados pelas distintas políticas cambiais quase levaram à implosão do projeto de mercado comum, agora é a crise instalada na economia de cada um dos quatro sócios que dificulta o processo de integração. A seis meses do fim do seu mandato, o presidente Fernando Henrique Cardoso vai entregar a seu sucessor a missão de revitalizar o bloco. No próximo semestre, ele se restringirá a uma tarefa não menos árdua - a de preservar a unidade dos quatro combalidos sócios.Na avaliação do embaixador Marcos Caramuru, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, o drama do Mercosul neste momento está no quadro recessivo da Argentina, Paraguai e Uruguai nos últimos anos e no crescimento modesto da economia brasileira. Para este ano, as estimativas indicam o recuo no Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina de 15%. Nos casos do Uruguai e do Paraguai, quedas de 2% - um indicador de que o comércio dentro do bloco tende a minguar. O Brasil deverá crescer entre 2,0% e 2,5%, porcentuais abaixo do inicialmente esperado. "Este será mais um ano difícil para o Mercosul", afirmou Caramuru ao Estado.Segundo Rogério Studart, economista da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a situação é dramática nos quatro sócios, inclusive no Brasil. Para ele, o cenário eleitoral no País não é a real causa das turbulências no mercado financeiro observadas na semana passada. "O mercado já amaciou o risco da vitória da oposição", afirmou.Em sua opinião, a economia brasileira está no "fio da navalha" por causa das vulnerabilidades nas contas internas e externas. Essa "bomba" deverá estourar no próximo governo, quando os investidores perceberem que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não ajudará mais a salvar os países em crise.Na visão de Caramuru, porém, o quadro de vulnerabilidades do País não será alterado de uma hora para a outra. O foco que o sucessor de FHC não deve perder, na sua opinião, é o da preservação da estabilidade. "Vamos ter de lidar com as vulnerabilidades por muito tempo porque são o resultado de uma economia não amadurecida, na qual as taxas de poupança e de investimentos são baixas, as questões sociais não estão resolvidas e as reformas ainda não foram concluídas", afirmou. Credibilidade - Caramuru lembra que, assim como o Brasil, os demais sócios do Mercosul tenderão a "carregar" no ajuste fiscal neste e nos próximos anos, sob as rédeas do Fundo. O Brasil e o Uruguai contam com acordos já fechados. O país vizinho espera a liberação de US$ 3 bilhões do FMI e de outros organismos internacionais para fortalecer as reservas internacionais, cobrir o déficit em conta corrente e para financiar o setor privado, prejudicado pelos quadros recessivos interno e da Argentina.A Argentina negocia a duras penas um acordo com o Fundo, mesmo depois de ter conseguido o compromisso de 15 Províncias com a austeridade fiscal. O Paraguai igualmente conversa com o FMI, mas enfrenta um cenário de instabilidade política que provocou o recuo na privatizações do setor de telecomunicações e pode comprometer as negociações. Para Studart, esse esforço não será suficiente. No caso da Argentina, argumenta ele, o ponto central da crise está na ruína do sistema financeiro, que inviabiliza a concessão de créditos ao setor produtivo. O economista Fábio Giambiagi, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), chama a atenção para um problema mais complexo: a baixa credibilidade do atual governo, que pode vir a ser solucionado com a antecipação das eleições para dezembro.

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