Crise europeia agrava êxodo de vilarejos

Pressionada pelo êxodo, em especial de jovens, a cidade de Gangi não é uma exceção nem na Sicília, nem na Itália, nem na Europa em crise há sete anos. No burgo vizinho ao Etna que está vendendo imóveis por € 1, o problema é histórico e teve relações com a máfia, as guerras e o êxodo rural que marcou o país no século 20. Foi por volta dos anos 20 que Gangi perdeu cerca de 9 mil habitantes - hoje são 7,2 mil moradores.

GANGI, ITÁLIA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2014 | 04h26

Mas a intensificação dos fluxos migratórios dentro da Europa é mais ampla e é decorrência da crise, como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) verificou em estudo. Na Ilha de Sicília e no território italiano, fugir de pequenas cidades em direção a grandes centros europeus é não raro a única alternativa para jovens e adultos em busca de emprego e renda.

No caso italiano, a explicação é evidente: 42% dos jovens com menos de 25 anos estão desempregados, e formam um contingente ainda maior do que o de gregos que emigram em busca de condições melhores de emprego e renda e de um futuro para si e suas famílias.

Fuga de mão de obra. Mas o problema da emigração de jovens não afeta apenas as economias italiana e grega. O mesmo problema já foi diagnosticado pelas autoridades europeias na Espanha, em Portugal e na Irlanda, que voltaram a sofrer com a fuga de mão de obra - agora mais qualificada -, como ocorreu nos anos 60. Detalhe importante: não há mais ditaduras ou conflitos armados nesses países, como havia 50 anos atrás.

Segundo demógrafos e economistas como Jean-Christophe Dumont, chefe da Divisão de Migrações Internacionais da OCDE, os sintomas da crise no equilíbrio populacional dos países já se fazem sentir em toda a Europa.

Poloneses e habitantes do leste da Europa, antes imigrantes potenciais em países como a Inglaterra, hoje retornam a suas cidades ou adiam planos de transferência. Além disso, irlandeses, espanhóis, portugueses, gregos, italianos e até franceses vêm buscando postos de trabalho ou oportunidades mais promissoras na Alemanha, Canadá, Austrália, Estados Unidos e, em alguns casos, até na África, como acontece em Angola e Moçambique.

Dois dados da OCDE ilustram a amplitude do problema: entre 2008 e 2013, o Escritório Central de Estatísticas da Irlanda registrou 289% mais candidaturas para postos de trabalho fora do país; na Espanha, o ano de 2012 registrou um recorde: 280 mil emigrantes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.