Crise europeia domina reunião de cúpula do G-20

Líderes dos principais países se reúnem no México e devem pressionar a Alemanha a aceitar menos austeridade

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL, LOS CABOS (MÉXICO), O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h07

O resultado das eleições na Grécia, com a vitória de Antonis Samaras, o candidato pró-austeridade, aliviou um pouco a pressão sobre os líderes do G-20, que iniciam hoje sua sétima reunião de cúpula em Los Cabos, no México. O que não quer dizer, porém, que será um encontro tranquilo, já que boa parte dos governantes chega ao encontro com seus países enfrentando crises financeiras e recessão.

As pressões maiores devem ficar sobre a Alemanha, que reluta em aceitar o alívio das políticas fiscais austeras para sua vizinhança e o socorro direto de fundos europeus aos bancos da região. As mensagens para a Alemanha foram emitidas com maior intensidade na semana passada, quando o acesso da Espanha a 100 bilhões de fundos europeus, para socorrer seus bancos, evaporou-se em poucos dias. O país continuou pressionado pelo mercado, demandante de taxas de retorno mais altas para seus empréstimos, e pela corrida aos saques nos bancos, que já superaram 3 bilhões. A situação espanhola contaminou a Itália, igualmente pressionada pelos agentes do mercado financeiro.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (BID), Christine Lagarde, pediu "passos decisivos" para os europeus para superar a crise da dívida soberana sem matar o crescimento econômico. Também insistiu na ajuda direta dos fundos europeus para os bancos em dificuldade. O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, apelou pelo alívio fiscal e pela tomada rápida de medidas para restaurar a confiança dos mercados na Europa.

Ontem, o presidente da China, Hu Jintao, exortou os membros do G-20 a tratar da questão da dívida soberana da Europa com esforços conjuntos, segundo a agência de notícias Xinhua. A crise da dívida europeia é "um assunto de preocupação geral", afirmou. "O G-20 deve tratá-lo por meio de um caminho de cooperação e construção, encorajando e apoiando os esforços da Europa para resolver a situação e mandando um sinal de confiança ao mercado."

A Casa Branca expressou na sexta-feira sua baixa expectativa em Los Cabos. Mike Froman, vice-conselheiro para Economia Internacional, afirmou que o encontro "não dará uma palavra final sobre a zona do euro", apesar de "a peça europeia estar no centro do jogo da recuperação econômica mundial". A solução dos problemas da Espanha não sairá desse encontro, segundo Jay Carney, porta-voz do presidente Barack Obama, dos EUA.

De Berlim, surgiram apenas vagos sinais menos pessimistas. Um deles foi o apoio da chanceler Merkel à proposta de criação de uma união fiscal, que centralizaria os dilemas nacionais para enfrentar o endividamento e o déficit nas contas públicas na órbita regional. Ela não mencionou uma possível união financeira, mas destacou que o país "precisa de mais Europa".

"Chegou a hora da verdade para a Europa", afirmou o economista Domenico Lombardi, do Brookings Institution, defensor de uma atitude mais agressiva por parte do Banco Central Europeu (BCE) para evitar uma crise de insolvência de Estados e de bancos, e também crítico da demora do continente na tomada de decisões e no seu escopo limitado. "Eles (os europeus) estão tentando colocar um band-aid em cima de uma ferida grave. Não houve ainda nenhuma iniciativa para tratar as causas desses problemas."

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