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Crise europeia reduz os bônus dos banqueiros suíços

Período conturbado das finanças do continente e repressão à evasão de recursos reduz ativos dos bancos e a remuneração dos banqueiros

GILES BROOM, BLOOMBERG NEWS/ GENEBRA, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h03

Quando Werner Rueegg geria fortunas para clientes do Credit Suisse Group, Oswald Gruebel, que se tornou presidente executivo de um banco em Zurique, prometeu fazê-lo rico. "Ossie Gruebel nos disse: para servir um milionário, você tem de ser um milionário e eu prometo que o tornarei um milionário", disse Rueegg, 48 anos, que passou os últimos três anos de uma carreira de 28 anos no Bank Sarasin & Cie.

Aqueles tempos podem ter acabado com a remuneração média de banqueiros privados suíços, caindo mais de 6%, para US$ 263 mil, de 2008 até este ano, segundo o Boston Consulting.

O arrocho de remuneração decorre do fato de as margens de lucro de UBS, Credit Suisse e outros bancos suíços terem caído na esteira da crise financeira e na medida em que a repressão à evasão fiscal tem levado clientes americanos e europeus a resgatarem seus recursos. Os bônus estão sob pressão pois o valor dos ativos sob gestão estão caindo.

"A remuneração como um todo sofreu um baque", disse Phil Haviland, recrutador de Londres especializado no mercado de private banking suíço. "Tudo tem a ver com os novos ativos líquidos que podem ser trazidos para ser administrados e a receita que se pode obter com eles."

Os ativos suíços offshore recuaram quase um quarto, para US$ 2,1 trilhões desde 2007, contribuindo para queda na remuneração baseada no desempenho. O Credit Suisse, segundo maior gestor suíço de fortunas, registrou margem bruta anualizada de 114 pontos-base no terceiro trimestre, ante 131 pontos-base em 2007. Um ponto-base é um centésimo de ponto porcentual.

Os banqueiros privados geralmente recebem salário base mais bônus determinado por uma combinação dos ativos trazidos para administração do banco de clientes existentes ou novos e os retornos dos investimentos que contribuem para a receita da empresa. Num bom ano, o bônus pode dobrar a remuneração do gestor de relacionamento, disse Peter Zuercher, que dirige em Zurique a Adecco, maior fornecedora mundial de trabalhadores temporários.

Os bônus de banqueiros privados suíços caíram até 50% neste ano, disse Stephan Surber, que recruta profissionais financeiros para a Michael Page International, em Zurique. Ele espera novas quedas no próximo ano e lembra que alguns bancos deixaram de pagar bônus de contratação para novos gestores.

Os bancos suíços podem perder US$ 1,2 bilhão em receita anual, ou 4% do total de 2010, na medida em que clientes repatriarem US$ 50 bilhões de ativos antes dos acordos fiscais com Alemanha e Grã-Bretanha entrarem vigor, em 2013. Os suíços fizeram acordos com esses países para tributar ganhos de capital e lucros de investimentos ganhos por detentores de contas bancárias não declaradas.

Embora bancos suíços lutem para conter os custos porque o franco mais forte corrói ganhos em outras moedas, banqueiros nos distritos financeiros de Londres esperam encolhimento de um quinto no valor dos bônus em relação ao ano passado na medida em que a crise da dívida soberana prejudica a receita, mostra estudo da empresa de recrutamento Astbury Marsden.

Para banqueiros londrinos seniores, a queda em bônus foi parcialmente compensada por um aumento de 21% na remuneração básica para US$ 367.540, segundo a Astbury Marsden. A maioria dos bancos e gestores de fortuna de Genebra espera lucros menores que os de 2010.

Embora produtores de ponta, capazes de trabalhar com os ultra ricos e caçar ativos novos tendo como alvo clientes "mass affluents"(com patrimônio financeiro líquido entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão), ainda possam receber boas remunerações, o ambiente está ficando mais duro, disse Maurice Zufferey, chefe da recrutadora Spencer Stuart. "Os não produtores não estarão só ganhando menos; eles não terão emprego."/ TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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