Crise expõe coordenação frouxa da UE

Mesmo que o euro esteja se valorizando durante a primeira turbulência financeira que enfrenta, a força da crise fez aflorar a falta de coordenação na União Europeia. Embora a moeda única seja regulada pelo Banco Central Europeu (BCE), cada governo tem autonomia para decidir sua política econômica, limitando-se a respeitar as normas Pacto de Estabilidade e Crescimento (PSC), tido como defasado em Bruxelas. A questão do aprimoramento da coordenação econômica se tornou central com o aprofundamento da crise. "Há anos alguns chefes de Estado alertam que temos uma moeda única, mas não uma política econômica única", diz Jean-Dominique Giuliani, presidente da Fundação Robert Schuman. A coordenação dos ministros de Economia e Finanças no Ecofin, diz o expert, não é suficiente para superar as divergências. "Agora ficou claro que precisamos de uma ação coordenada." Em outubro, duas reuniões de cúpula de chefes de Estado foram convocadas pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, para que um acordo sobre a recapitalização dos bancos e a garantia pública para os empréstimos interbancários fosse posta em prática. Até então, diferenças entre Alemanha, de um lado, e França e Reino Unido eram mais fortes. Segundo admitiu a Comissão Europeia em comunicado em 7 de maio - antes da crise -, a UE deve ir além. "É preciso aprofundar a supervisão econômica, corrigindo as divergências observadas em temas como o crescimento, a inflação e a competitividade", diz. Para tanto, será preciso reformar o PSC, entendem economistas. Seu objetivo inicial era controlar o déficit das finanças públicas em no máximo 3%, a emissão de moeda e, assim, a inflação, impedindo que a ruína orçamentária de um Estado-membro prejudicasse a estabilidade da moeda do bloco. Para Jean Pisani-Ferry, economista do think tank Bruegel, de Bruxelas, o problema é que o pacto não estabelece mecanismos para enfrentar bolhas e ameaças à competitividade. Uma das soluções seria a adoção de um sistema de "advertências preventivas", prevista no Tratado de Lisboa.

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.