Crise externa eleva dólar pelo terceiro dia consecutivo

A moeda americana teve alta de 0,53%, para R$ 1,7230 maior valor de fechamento desde 20 de fevereiro

Da Redação,

17 de março de 2008 | 16h22

O dólar subiu pelo terceiro dia seguido nesta segunda-feira, em reação ao agravamento da crise global de crédito, e fechou na maior cotação em quase um mês. A moeda norte-americana teve alta de 0,53%, para R$ 1,7230 maior valor de fechamento desde 20 de fevereiro. Neste mês, o dólar já avançou quase 2%. Veja também:BCs injetam recursos para socorrer bancosCrise no mercado global está maior, diz diretor-gerente do FMIJPMorgan compra o Bear Stearns por US$ 236 milhões Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar Veja os efeitos da desvalorização do dólarJPMorgan e Fed intervêm para socorrer seguradora dos EUA     O colapso do Bear Stearns, quinto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, continuou a tumultuar os negócios em todo o mundo. As bolsas de valores despencaram e a aversão a risco disparou com o temor de que outros bancos sejam vítimas da crise, que começou no setor de crédito imobiliário de alto risco (subprime) nos Estados Unidos.  "(A alta do dólar no Brasil) é uma fuga natural (dos estrangeiros) para cobrir essas perdas lá fora", disse Paulo Fujisaki, analista de mercado da corretora Socopa. Às 16h30, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cai 2,55%, depois de ter operado em baixa mais intensa mais cedo que deixou o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - abaixo dos 60 mil pontos.  Esta segunda-feira foi o primeiro dia de vigência das novas regras cambiais anunciadas pelo governo na semana passada. As novidades, entre as quais o fim da cobertura cambial e a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações de câmbio de estrangeiros que investem em renda fixa, não têm tido efeito prático sobre a cotação do dólar, segundo analistas. Bolsas americanas  Em Nova York, o índice Dow Jones subiu para território positivo nesta última hora de sessão, depois de apagar um declínio de quase 200 pontos, com ajuda de um movimento de "fuga para a qualidade" que beneficia as ações blue chips. As ações do JPMorgan (+10,62%), Merck (+2,03%), Verizon (+3,10%), AT&T (+2,83%), GE (+1,77%) e HP (+1,81%) lideram os ganhos. Os índices Nasdaq e S&P-500 também reduziram as perdas, mas não o suficiente para deixarem o vermelho.   Para o estrategista-chefe de mercado da Covered Bridge Tactical, Ken Tower, a "falta de uma venda do tipo pânico é outro sinal de que podemos estar perto do fundo do poço". Às 16h27 (de Brasília), o índice Dow Jones subia 73 pontos (0,62%), o Nasdaq caía 17 pontos (0,78%) e o S&P-500 registrava uma queda de 5 pontos (0,42%). Decisão de juros nos EUA Na véspera da decisão do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve) que vai reavaliar a taxa básica de juros norte-americana, o nervosismo nos mercados aumentou. Isso porque, em uma decisão inesperada, o Fed cortou a taxa de redesconto em 0,25 ponto porcentual. Este é o juro cobrados nos empréstimos entre bancos. A taxa caiu para 3,25% ao ano. O objetivo do banco central americano é criar condições mais favoráveis para o financiamento de instituições que estão com problemas de liquidez (escassez de recursos). Os investidores entenderam que, se o Fed tomou esta decisão dois dias antes da reunião mensal da instituição, é porque a situação é pior do que se imaginava.  O mercado também ficou instável com a notícia da compra do Bear Stearns pelo JPMorgan a preço de liquidação. As ações do Bear derreteram hoje. Ações de bancos de investimentos - como Merrill Lynch e Lehman Brothers - estão sobre forte pressão. Muitos economistas importantes esperam que o Fed reduza, na terça-feira, a taxa de juro em 1 ponto porcentual, o que seria mais uma ação radical. As bolsas européias operaram em estado de pânico. O índice FTSE 100 de Londres fechou com queda de 3,86%. O CAC-40, de Paris, caiu 3,51% e o Dax, de Frankfurt, encerrou com baixa de 4,18%. Na Ásia, o índice Nikkei de Tóquio fechou em queda de 3,7% e o Hang Seng, de Hong Kong, registrou baixa de 5,2% em seu fechamento.

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