Crise externa faz Bovespa cair 3%, e dólar passa de R$ 1,70

Tensão piora com aperto nas condições de crédito interbancário e dados ruins sobre economia dos EUA

Reuters e Agência Estado,

10 de março de 2008 | 16h48

O dólar reagiu com mais força à crise internacional nesta segunda-feira, 10, fechando acima de R$ 1,70 pela primeira vez em duas semanas. A moeda subiu 1,37%, para R$ 1,707. Em março, o dólar agora acumula valorização de 0,89%. Também em reação ao pessimismo no mercado externo, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou abaixo dos 60 mil pontos, em queda de 3,02% - trata-se da menor pontuação desde o dia 8 de fevereiro de 2007, quando terminou em 59.076,0 pontos.  O gatilho para a piora foi o aperto nas condições de crédito interbancário, que aumentou a preocupação sobre a saúde das instituições financeiras e forçou o Federal Reserve, banco central americano, a injetar capital adicional no mercado na última sexta-feira.  Veja também:   Barril de petróleo sobe e bate novo recordeESPECIAL: Preço do petróleo em altaEvolução do preço do dólar Entenda a crise nos Estados Unidos  Europa diz que não bancará desvalorização do dólar O agravamento da tensão coincidiu com a divulgação, nos últimos dias, de dados muito piores do que o esperado sobre a economia dos Estados Unidos. Nesse cenário, os mercados tiveram uma segunda-feira de nervosismo, com queda acentuada das bolsas em Nova York em meio a especulações sobre problemas de liquidez em um dos maiores bancos de investimento de Wall Street, o Bear Stearns . Os rumores foram classificados como "totalmente ridículos" por um executivo do banco. "A situação norte-americana inspira mais cuidados do que estava aparentando. Os índices de inflação continuam altos e o nível de emprego está diminuindo de forma mais acelerada do que se previa, abrindo as portas para uma recessão", disse Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros. "Dentro desse cenário ainda há a condição de inadimplência no setor imobiliário", acrescentou.    Com o aumento da aversão ao risco, provocado pelas incertezas sobre o desaquecimento econômico nos EUA, o dólar vem caindo frente a outras moedas. Nesta segunda, o Banco Central Europeu deixou claro que não "bancará" a desvalorização do real. O problema é que, com a perda de valor da moeda norte-americana, os produtos europeus ficam mais caros e, com isso, perdem competitividade no mercado internacional. Mercado futuro A piora das condições no mercado externo derrubaram as bolsas no mundo todo. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones cai 1,17% às 16h21 (de Brasília). A Nasdaq recua 1,65%. As bolsas européias fecharam com queda acima de 1%. O agravamento da tensão global já se refletiu no comportamento dos estrangeiros no mercado futuro de câmbio. Eles carregavam quase US$ 7 bilhões em posições vendidas na moeda norte-americana no início do mês, mas reduziram essa exposição para menos de US$ 3 bilhões na sexta-feira, segundo dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros. A posição vendida em dólar é uma aposta na queda da moeda. Essa redução demonstra que há menos certeza quanto à desvalorização do dólar no curto prazo, principalmente depois de já ter registrado seguidas baixas no final de fevereiro, quando o dólar chegou a ser cotado em níveis que não eram vistos desde maio de 1999. No final da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado. A autoridade monetária definiu taxa de corte a 1,7070 real e aceitou, segundo operadores, ao menos uma das propostas divulgadas.  Silvio Cascione, da Reuters Texto ampliado às 17h47

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