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Crise externa faz Tesouro rever meta da dívida pública

A crise dos mercadosfinanceiros internacionais fez com que o Tesouro Nacionalanunciasse nesta quarta-feira, pela primeira vez, uma revisãodas metas do plano de financiamento da dívida pública do ano. Das oito metas definidas no Plano Anual de Financiamento(PAF), três foram reduzidas. Em nota, o Tesouro reconheceu queo "aprofundamento da instabilidade no cenário internacional"forçou as mudanças. Ao mesmo tempo, o Tesouro lembrou que "os elevadossuperávits fiscais" permitem ao governo ter "maiorflexibilidade na gestão da dívida". "Em função das condições do mercado, em função também defatores positivos como, por exemplo, um (superávit) primáriomaior, isso tudo nos levou a ter um ajuste no plano para essesúltimos meses do ano", afirmou a jornalistas o secretário doTesouro, Arno Augustin. A partir de agora, o Tesouro espera um aumento menor dadívida. O estoque deverá ficar numa faixa entre 1,36 a 1,42trilhão de reais, abaixo da faixa anterior, entre 1,48 e 1,54trilhão de reais.A dificuldade de obter financiamento nos mercados também vaitrazer empecilhos à estratégia do Tesouro de ampliar aparticipação dos títulos prefixados no estoque da dívida. Pelos cálculos do governo, estes papéis --que sãoconsiderados melhores para a administração, uma vez que ogoverno sabe de antemão quanto terá que pagar aosinvestidores-- responderam por algo entre 29 e 32 por cento doestoque da dívida ao final do ano. Originalmente, a expectativa do Tesouro era encerrar oexercício de 2008 com os prefixados respondendo por algo entre35 e 40 por cento de toda a dívida pública. MAIS PÓS-FIXADOS A consequência direta dessa maior dificuldade em colocartítulos prefixados foi o aumento do limite de participação detítulos com correção pós-fixada, ou seja, atrelada à variaçãoda taxa básica de juro. De acordo com o Tesouro, estes papéis deverão responder por31 a 34 por cento do estoque da dívida em dezembro.Inicialmente, o governo esperava manter estes títulos entre 25e 30 por cento da dívida. "É sabido que o Tesouro não vinha conseguindo alcançar asmetas anunciadas no PAF, diante da demanda menor por títulosprefixados e menos apetite de estrangeiros", citou oestrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz. "Para alcançar as metas iniciais seria necessário umaoferta maciça de títulos prefixados mais longos, resultando empressão adicional sobre a curva de juros." O banco lembrou, em relatório, que neste ano --até julho--a oferta de prefixados estava sendo equivalente a 13 bilhões dereais por mês. Levando em conta os novos alvos, o banco calculaque a oferta deveria ser de 10 bilhões de reais para ficar nocentro da meta e de 4 bilhões de reais para o piso. (Reportagem de Renato Andrade e Ana Nicolaci da Costa,colaborou Daniela Machado)

REUTERS

27 de agosto de 2008 | 17h08

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