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Crise externa interrompe queda de juro de empréstimo bancário, diz BC

Na 1.ª quinzena de agosto, custo médio de captação para pessoas físicas subiu de 10,7% para 11,1% ao ano

Gustavo Freire, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

A crise nos mercados internacionais interrompeu, em agosto, a trajetória de queda dos juros dos empréstimos bancários, que vinha ocorrendo de forma contínua desde fevereiro. Dados preliminares do Banco Central (BC) mostram que a taxa média cobrada pelos bancos nas operações de crédito com recursos livres (não direcionados a nenhum segmento específico) permaneceu em 39,5% ao ano nos primeiros 15 dias do mês, a mesma que vigorava no fim de julho.''''Com a alta dos juros futuros provocada pela crise, o custo de captação dos bancos aumentou'''', explicou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes. O custo médio aumentou 0,2 ponto porcentual e avançou dos 10,8% no fim de julho para 11% ao ano. A elevação do custo, segundo Altamir, foi concentrada nos empréstimos às pessoas físicas, que são maciçamente referenciados em taxas de juros prefixadas.Nesse segmento, o custo de captar recursos subiu de 10,7% ao ano no fim de julho para 11,1% ao ano no dia 15 de agosto - o que não ocorria desde julho do ano passado. ''''No caso das empresas, o custo permaneceu em 10,9% ao ano porque há maior uso de taxas de juros flutuantes e pós-fixadas nas operações.'''' Os bancos, porém, não repassaram a elevação do custo de captação para as operações de crédito às pessoas físicas. ''''Ao contrário, os bancos promoveram uma queda do spread na mesma proporção da alta dos custos e evitaram uma elevação dos juros pagos pelo tomador final'''', disse Altamir.O spread é a diferença entre as taxas de captação e aplicação dos recursos. Com a redução, o spread médio nas operações com pessoas físicas caiu de 36,3 pontos porcentuais, no fim de julho, para 35,9 pontos porcentuais, batendo recorde de baixa na série captada pelo BC desde julho de 1994.Segundo Altamir, a redução do spread foi possível porque no segmento de pessoas físicas ainda há espaço para quedas. ''''No caso das empresas, o spread de 12,1 pontos porcentuais já está ajustado e, por isso, tivemos estabilidade na primeira metade de agosto.''''A interrupção do processo de queda dos juros não impediu que o volume de empréstimos bancários crescesse 2% na primeira quinzena de agosto. Em julho, o montante de crédito cresceu 2,2% e passou a acumular uma elevação de 21,1% num período de 12 meses.Um dos destaques desse movimento de elevação do crédito são operações de leasing, que tiveram no período de 12 meses até julho expansão de 68,1% e chegaram a R$ 46 bilhões. Somente para pessoas físicas, o total de operações, nesse período, passou de R$ 11,6 bilhões para R$ 20,3 bilhões - alta de 74,8%.Segundo Altamir, a expansão do leasing se baseia no aquecimento do mercado de automóveis. As vantagens do leasing são os juros mais baixos que nos financiamentos tradicionais e prazos que superam 80 meses.Em contrapartida, os juros do crédito pessoal (excluindo empréstimos consignados) aumentaram de 64,7%, em junho para 65,1% ao ano em julho. Altamir explicou que a elevação foi provocada, na maior parte, pela liquidação dos empréstimos para antecipação da restituição do Imposto de Renda. ''''Com taxas mais baixas, estas operações estavam ajudando a manter os juros do crédito pessoal como um todo em níveis menores'''', explicou Altamir.A participação do total dos empréstimos bancários no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro subiu em julho para 32,7% - maior nível desde novembro de 1995.

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