Crise externa reduz ritmo de fusões no País

Segundo estudo da PwC, serão 740 negócios este ano, uma queda de 7% em relação ao resultado de 2010

ALEXANDRE RODRIGUES / RIO , O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h06

A crise na economia internacional impediu o crescimento das operações de fusões e aquisições no Brasil em 2011, segundo a consultoria PwC. O País terminará o ano com 740 negócios, o que representa queda de 7% em relação a 2010. O resultado, no entanto, foi acima da baixa média de 640 transações dos anos "de crise", 2008 e 2009.

"O movimento de consolidação continua aquecido no Brasil, mas vem sofrendo os efeitos dessa incerteza da economia internacional, principalmente da dívida europeia", diz Alexandre Pierantoni, sócio da PwC para a área de fusões e aquisições.

O monitoramento da consultoria mostra que, após registrar quase 800 negócios em 2010, o maior nível desde 2002, o movimento de fusões e aquisições no País ensaiou um aquecimento no primeiro semestre deste ano, com recorde histórico de transações em fevereiro, abril e maio. As dificuldades no cenário internacional, porém, reduziram o ritmo na segunda metade do ano. "As operações vêm numa curva decrescente nos últimos três meses", comenta Pierantoni.

A desaceleração nas fusões e aquisições na segunda metade de 2011 também foi apontada em relatório da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). De acordo com a entidade, as operações somaram R$ 23,3 bilhões em 25 operações no terceiro trimestre do ano, a menor cifra desde 2008.

Com a perspectiva de uma recuperação internacional lenta, o executivo da PwC acredita que os negócios continuarão em fogo baixo no Brasil no primeiro semestre. Mas ele ressalta que o País tem todos os fundamentos para seguir o processo de evolução de escala empresarial desencadeado na última década.

Pontos positivos. A própria crise pode se tornar um fator favorável às operações, já que a depressão nos países desenvolvidos aumenta o interesse de empresas e fundos de investimentos estrangeiros pelo Brasil, especialmente nos setores de TI, alimentos, produtos químicos, bancos e varejo, que estão entre os grupos que mais registraram operações em 2011.

Em 38% das operações deste ano houve participação de capital estrangeiro, como nas recentes aquisições de 27,7% da Usiminas pelo grupo ítalo-argentino Techint por R$ 5 bilhões ou da compra da totalidade da Schincariol pelo grupo japonês Kirin.

A crise favoreceu também a continuidade do processo de internacionalização das empresas nacionais, que compraram ativos no exterior em 18% dos negócios que fecharam em 2011, aponta a PwC.

O real valorizado e a baixa atividade em alguns mercados tornam ativos estrangeiros mais acessíveis. No entanto, o ano foi de moderação nas compras das campeãs de aquisições dos últimos anos, como os frigoríficos JBS e Marfrig e a gigante de softwares Totvs.

"É natural que as empresas, após aproveitar oportunidades de dar grandes passos, dediquem o momento posterior a um ajuste fino na estratégia. A tendência é focar em produtos de alto potencial de crescimento e maior valor", diz Pierantoni. Um exemplo é a Hypermarcas, que neste ano comprou menos e até vendeu algumas marcas fortes, como a Etti e a Assolan.

Outro fator que deve favorecer os negócios em 2012 é a janela fechada da bolsa para aberturas de capital (IPOs) com a instabilidade internacional, o que pode favorecer a venda de fatias de empresas para fundos de private equity como fonte de financiamento ou saída de investidores. "Os fundos estão muito capitalizados e buscando oportunidades", diz Pierantoni, lembrando que 40% do total de operações de 2011 envolveram fundos de private equity.

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