Crise externa se agrava, dólar retoma alta e atinge R$ 1,863

Cenário:

SILVANA ROCHA , O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h09

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, sintetizou ontem o que o mercado já vem percebendo há algum tempo: que a crise mundial está trazendo de volta condições parecidas com as de 2008. Ontem, a China e a Alemanha acirraram as preocupações do mercado e do governo, após a desaceleração acentuada do índice de atividade chinês para o menor nível em 32 meses e da fraca demanda em leilão de títulos alemães, considerados porto seguro. O risco enfrentado pela Grécia de sair da zona do euro, ressaltado pelo Banco Central do país, justificou ainda um aumento de posições defensivas em dólar, que ganhou suporte extra de indicadores norte-americanos um pouco melhores. No final, o dólar serviu de refúgio aos investidores e subiu em relação a quase todas as moedas rivais, incluindo o real. O volume de negócios manteve-se firme na véspera de feriado norte-americano de Ação de Graças.

O dólar à vista operou com sinal positivo o tempo todo, depois de interromper na terça-feira uma sequência de cinco sessões de ganhos. A moeda no balcão disparou 3,16%, para R$ 1,8630, o maior valor em um mês.

Diante da renovada safra de notícias ruins, a Bovespa sucumbiu à queda das bolsas internacionais. Mas, mesmo em baixa, resistiu para entregar o nível de 55,2 mil pontos - patamar considerado crítico pelos analistas gráficos -, o que, entretanto, acabou acontecendo na reta final. O Ibovespa caiu 1,62%, aos 54.972,08 pontos, menor nível desde 20 de outubro. Nestas cinco sessões no vermelho, recuou 6,13%. No ano, a perda alcança 20,68%. Entre as chamadas blue chips, a Petrobrás mostrou mais 'força' que Vale. A ON cedeu 0,81% e a PN, 0,51%. O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, disse acreditar que, apesar do cenário de retração da economia mundial, a tendência para o preço do petróleo é de crescimento. "A era do petróleo barato já passou", disse ele. Já Vale ON tombou 2,64% e a PNA, 2,52%, pressionadas pela queda dos metais e pela notícia de que a mineradora não consegue atracar seu supercargueiro na China.

A piora externa conjugada às previsões do ministro Mantega, de agravamento da situação da economia mundial e de que já começa a haver um contágio da crise para os emergentes, reforçaram a expectativa no mercado de juros de aceleração de corte da taxa Selic. Assim, cresceu ontem levemente a aposta em redução maior do que 0,50 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana.

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