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Crise extingue 3º turno nas montadoras

O terceiro turno de trabalho, que consiste nas operações noturnas de produção nas fábricas, muito comum nos anos 80 e 90, está em extinção entre as montadoras. Com o anúncio ontem da Ford, de encerrar o terceiro turno na unidade de Camaçari (BA), apenas uma empresa do setor automotivo, a Hyundai, manterá esse tipo de expediente no País, na fábrica de Piracicaba (SP).

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2015 | 02h06

A Ford informou que vai encerrar as atividades de produção do turno da noite na filial da Bahia a partir de março. Ao todo, trabalham nesse esquema cerca de 2 mil funcionários, incluindo o pessoal das fornecedoras de autopeças que atuam dentro do complexo industrial.

O trabalho noturno ocorre na unidade que hoje produz os modelos Ka e EcoSport há dez anos. A empresa alega "significativa desaceleração do mercado automotivo e a decorrente queda no volume de produção".

A Ford também disse, em nota, que "utilizará todas as ferramentas possíveis" para tratar do excedente da força de trabalho na fábrica e que, neste momento, está em negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari.

O presidente do sindicato, Júlio Bonfim, afirmou que, das mais de 2 mil pessoas que trabalham no terceiro turno, 700 são funcionários diretos da Ford. Ao todo, o complexo emprega aproximadamente 10 mil trabalhadores, sendo 4,6 mil da Ford e os demais das autopeças e das empresas prestadoras de serviços.

"Vamos tentar convencer a empresa a não suspender o terceiro turno, mas, se isso ocorrer, vamos discutir medidas de garantia de emprego, como o lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) que já foi adotado em várias fábricas, mas na unidade de Camaçari não", disse Bonfim.

A Ford informou também que a produção de veículos será suspensa na Bahia entre os dias 26 de novembro e 4 de dezembro, para adequar estoques. Bonfim acrescentou que todos os 10 mil funcionários do complexo terão férias coletivas em fevereiro. A empresa confirmou que a parada vai ocorrer de 8 a 26 de fevereiro. Durante as festas de fim de ano os funcionários também serão dispensados por dez dias.

Segundo Bonfim, recentemente a entidade conseguiu evitar a dispensa de 600 trabalhadores terceirizados que prestavam serviços de logística na fábrica para a DHL e foram absorvidos pela Ford. O sindicalista calcula que serão produzidos este ano cerca de 165 mil veículos na unidade baiana, 15% a menos em relação a 2014.

Noturno. Neste ano, encerraram atividades noturnas nas áreas de produção a Volkswagen - em São Bernardo do Campo e Taubaté (SP) -, e a General Motors em Gravataí (RS).

No ano passado, o expediente foi interrompido nas fábricas da GM em São Caetano do Sul (SP) e da Renault em São José dos Pinhais (PR). O turno já havia sido extinto pela Fiat em Betim (MG) e pela PSA Peugeot Citroën em Porto Real (RJ).

O setor automotivo demitiu neste ano, até outubro, 11,8 mil trabalhadores e emprega atualmente 132,7 mil pessoas.

Além disso, as montadoras têm 35,6 mil trabalhadores inscritos no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que reduz jornada e salários, 6,6 mil funcionários em lay-off e 2,8 mil em férias coletivas, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Significa que 34% da mão de obra das empresas está com alguma restrição em suas atividades.

As vendas de veículos nacionais e importados caíram 24,3% de janeiro a outubro em comparação a igual período de 2014, para 2,146 milhões de unidades. A produção recuou 21,1%, para 2,111 milhões de veículos.

Neste ano, até agora, as montadoras tiveram a produção paralisada pelo equivalente a mais dois anos, na soma de dias em que cada fábrica suspendeu as atividades por causa da fraca demanda. A conta total passa de 840 dias de paradas por férias coletivas, folgas e banco de horas (a ser compensado futuramente).

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