Crise fará empresas espanholas reverem balanços

As empresas espanholas com investimentos na Argentina terão de rever seus balanços de 2001 e reduzir o valor de seus ativos, atendendo às novas regras definidas pelo Instituto de Contabilidade e Auditoria (Icac), do Ministério de Economia espanhol. A determinação do Icac atende às inúmeras consultas de empresas e auditores em decorrência da desvalorização do peso na Argentina, que passou a 1,40 peso por dólar.Mas a referência para os balanços deve ser a cotação entre 1,60 peso e 1,70 peso por dólar e não a oficial, fixada em 1,40 peso pela administração Eduardo Duhalde.Algumas companhias, como Aguas de Barcelona e Gas Natural, estimam um recorte de 12 milhões de euros e de 75 milhões de euros, respectivamente, em seus ativos. Outras multinacionais, como Repsol, Telefónica e Endesa, ainda não determinaram o impacto da desvalorização do peso argentino em seus lucros. O Icac deve divulgar ainda nesta sexta ou, no máximo, na segunda-feira, os novos critérios contábeis que devem ser utilizados para o fechamento dos balanços de 2001.Até agora, diz o site do jornal espanhol El País, a maioria das empresas consultadas coincide em que não é possível determinar ainda o impacto da crise argentina em seus balanços e muito menos qual será o efeito concreto da solução que venha a ser adotada. As normas contábeis em vigor hoje estabelecem que os balanços precisam levar em conta a taxa de câmbio do mercado do último dia do ano.Ocorre que o mercado de câmbio argentino esteve paralisado praticamente todo o mês de dezembro, estendendo-se a paralisação até o dia 9 de janeiro. Foi nesse período que as empresas recorreram ao Icac. Como a situação era totalmente nova, foram projetadas algumas alternativas.Primeiro, a de levar em conta a taxa de câmbio com a qual reabriu o mercado depois dos feriados bancário e cambial (1,40 peso por dólar), até ficar entre 1,60 peso e 1,70 peso, no mercado livre. O Icac deve optar por esta última possibilidade, informa o site do El País", depois de consultar fontes desse organismo, que responde ao Ministério de Economia.Oficialmente, o Icac informou que se pronunciará sobre a taxa de câmbio a ser utilizada nos balanços de 2001 nas próximas horas, ou no máximo na segunda-feira A questão é que o assunto continua gerando polêmica. Algumas empresas sugeriram a possibilidade de que os novos critérios seja aplicados a partir dos balanços deste ano e não dos de 2001, porque a desvalorização ocorreu em 2002.Entre os especialistas consultados pelo site, a maioria acredita que essa postura carece de sentido, embora a desvalorização tenha ocorrido apenas em janeiro deste ano. Ocorre que a situação era visível muito antes, afirmaram esses especialistas.Por isso, as empresas espanholas com investimentos na Argentina devem seguir a nova disposição do Icac e avaliar o impacto em seus lucros. Do ponto de vista de negociações em bolsas, os efeitos da crise argentina estão sendo descontados há algumas semanas.Agora, resta saber como é que devem ficar os dividendos, que podem até ser reduzidos. As grandes empresas com investimentos na América Latina que se encontram em fase de fechamento de seus balanços, como Repsol, Telefónica e a Endesa, preferem não antecipar cifras.Leia o especial

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