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Crise faz primeira vítima no campo corporativo da Argentina

Transportadora de Gás do Norte declara default de dívida de quase US$ 16 mi de capital e US$ 6,5 mi de juros

Marina Guimarães, da Agência Estado,

24 de dezembro de 2008 | 11h16

A crise financeira internacional já fez a primeira vítima na Argentina no campo corporativo, depois das massivas reestruturações ocorridas durante o conturbado período de 2001/2002. A Transportadora de Gás do Norte (TGN) declarou o default de sua dívida de quase US$ 16 milhões de capital e US$ 6,5 milhões de juros. Os bônus corporativos da TGN venciam no dia 31 de dezembro, mas a empresa anunciou sua decisão na terça-feira. O passivo que a companhia deixa de pagar já havia sido renegociado há dois anos.  Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  O default - calote - da TGN não causou surpresa no mercado, já que os especialistas comentavam que não havia muitas opções para a companhia. Uma delas era pagar a dívida e esperar por um aumento das tarifas em 2009 capaz de recompor seu capital. A outra era privilegiar o atual caixa para não chegar no próximo vencimento de junho com as mesmas incertezas. No mercado, os comentários são de que os bancos credores ofereceram uma reestruturação amigável à TGN, mas a companhia optou pelo caminho mais drástico do default para negociar quando a poeira baixar. A empresa explicou que ainda não tem prevista a apresentação de um plano de reestruturação da dívida. A companhia argumenta, em uma nota oficial, que o default se deve à "deterioração da equação econômico-financeira da TGN, que obedece ao efeito da desvalorização do peso sobre tarifas domésticas as quais permanecem fixas, combinada com uma queda na entrada de dinheiro por transporte de exportação e com um incremento generalizado de seus custos em pesos e em dólares". Na verdade, o que a empresa quer dizer é que entrou em default por causa da falta de aplicação do ajuste tarifário de 20% que o governo autorizou em setembro passado. Além disso, a TGN foi obrigada a cancelar o contrato de venda de gás ao Chile porque o governo proibiu as exportações, já que a prioridade é atender a demanda interna.  Para o mercado, a decisão da TGN é parte de uma estratégia de negociação que poderá ter um efeito dominó em outras empresas com dificuldades. A Fitch Ratings já havia reduzindo a qualificação da TGN para "default iminente", na semana passada e uma de suas analistas, Ana Paula Ares, considera que as reestruturações em 2009 ocorrerão, mas não serão massivas como em 2002 porque a estrutura das dívidas atuais é melhor.

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