Crise financeira afeta atividades da GM nos EUA e Brasil

Queda acelerada na demanda por temores de recessão e aperto no crédito prejudicam setor automotivo

Da Redação,

11 de novembro de 2008 | 14h35

O setor automotivo vem sentindo fortemente os efeitos da crise financeira mundial nas últimas semanas. A demanda de automóveis está caindo aceleradamente no mundo inteiro, porque os temores de recessões possivelmente graves nos Estados Unidos e na Europa fazem com que os consumidores adiem compras maiores, enquanto um aperto do crédito em todo o mundo torna ainda mais difícil para os que estão interessados na compra de veículos levantar empréstimos. As ações da General Motors (GM) alcançaram na segunda seu valor mais baixo desde 1946, depois de o presidente da empresa, Rick Wagoner, ter dito, na sexta-feira, que a empresa pode ter problemas de caixa no primeiro semestre de 2009.  Veja também:Setor automotivo sofre 1ª queda anual de vendas em outubroBB socorre montadoras com R$ 4 biEstoque de veículos novos já supera a produçãoDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos A maior montadora dos Estados Unidos, está na lista das empresas que mais sofre as conseqüências desse aperto no crédito e redução da demanda. Nos EUA, os problemas atingiram uma proporção tão grande que a montadora, junto com Ford e Chrysler - outrora chamadas as Três Grandes, porque dominavam o setor - foram ao Congresso americano para pedir uma ajuda federal de US$ 50 bilhões, que poderá ajudá-las a sair da crise. Os papéis da empresa chegaram a cair 31% na segunda, cotados a US$ 3,02. Desde maio deste ano, quando valiam US$ 20,37, os papéis da GM perderam mais de US$ 15. Analistas do Barclays Capital e do Deutsche Bank reduziram seus cálculos sobre o preço-alvo dos títulos da GM até US$ 1 e US$ 0, respectivamente, e advertiram de que nos próximos meses a companhia não poderá continuar com as operações e deverá decretar falência, a não ser que receba ajuda pública. "As ações do governo dos EUA para ajudar a estabilizar os mercado de crédito e reduzir o aperto do crédito são um primeiro passo essencial à recuperação da economia e do setor automotivo, mas serão necessárias outras medidas enérgicas", disse presidente e executivo-chefe da montadora, Rick Wagoner. Na última sexta-feira, a montadora anunciou perdas US$ 2,5 bilhões no terceiro trimestre (número que chega a US$ 4,8 bilhões, se forem excluídos da conta ganhos extraordinários, como vendas de ativos), com a receita caindo 13% - de US$ 43,7 bilhões para US$ 37,9 bilhões um ano antes.  Ainda mais preocupante que o resultado foi a informação de que as empresas estão esvaziando de forma acelerada o seu caixa para fazer frente às despesas. A GM teve de tirar do caixa US$ 6,9 bilhões no terceiro trimestre, e está agora com uma reserva de US$ 16,2 bilhões. Apesar do caixa aparentemente significativo, está no limite das obrigações que as empresas têm de enfrentar. Por isso mesmo, a GM já advertiu que corre o risco de ficar sem dinheiro em caixa no primeiro semestre de 2009, se não receber ajuda do governo dos EUA ou se não houver uma melhora nas condições do mercado.  Para tentar ganhar fôlego, as montadoras recorrem mais uma vez ao corte de custos. A GM anunciou que vai acelerar ainda mais seu processo de reestruturação já em curso, e declarou também que desistiu da fusão com a Chrysler.  Brasil Mas não é apenas no mercado norte-americano que a GM vem anunciando medidas para lutar contra a crise. No Brasil, apesar da ajuda do governo federal anunciada na semana passada para a retomada do crédito destinado ao financiamento de veículos - atendendo a pedido da própria indústria automobilística -, o setor segue anunciando medidas de corte de produção, sinal de que não aposta na melhora do mercado nos próximos meses. A GM abriu um Programa de Demissão Voluntária (PDV) nas fábricas de São Caetano do Sul e de São José dos Campos (SP), onde recentemente fez contratações para novos turnos de trabalho. A montadora também já anunciou férias coletivas nas suas quatro unidades no País. A direção da GM não divulgou metas de adesão ao PDV. Informou apenas que o programa de incentivos, que inclui salários extras de acordo com o tempo de trabalho, é direcionado aos 8,9 mil funcionários horistas da fábrica de São José e aos 7,4 mil de São Caetano. Em abril, a GM contratou 1,5 mil trabalhadores no ABC paulista para a criação do terceiro turno de trabalho. Em agosto, foram abertas 600 vagas em São José para implantação do segundo turno na linha do Corsa. Um mês depois, foi feito um PDV naquela unidade, que recebeu 220 adesões, segundo informou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Vivaldo Moreira Araújo. "Há uma grande contradição nas ações da empresa", disse o sindicalista. A GM alega queda de vendas por causa da crise, mas Araújo questionou o fato de o primeiro PDV, em setembro, ter ocorrido antes da turbulência global ter chegado ao País.

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