Crise financeira é sistêmica e ninguém escapará, diz Mantega

Ministro diz que turbulência é a maior que sua geração já assistiu e destaca que envolve trilhões de dólares

Fabio Graner, Leonardo Goy e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

30 de outubro de 2008 | 11h06

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira, 30, que a atual crise financeira internacional, diferentemente das vivenciadas na década de 90, tem caráter sistêmico, porque atinge os países desenvolvidos. "Esta é uma crise sistêmica. Ninguém escapa desta crise. Mas os países avançados são mais atingidos", afirmou Mantega, na audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.   Veja também: Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Ele voltou a dizer que essa crise é, provavelmente, a maior que sua geração já assistiu e destacou que envolve trilhões de dólares, ao contrário das vivenciadas na década de 90, em que as perdas eram de dezenas de bilhões de dólares. Mantega destacou que os países avançados estão com mais problemas, porque não têm fundamentos tão sólidos quanto os nossos. Ele citou os EUA, especificamente, que têm déficits fiscal e comercial e ainda convivem com inflação. "É verdade que eles têm a maquininha de fazer dinheiro, mas eles têm a fragilidade fiscal e a inflação em alta", disse.   Mantega, lembrando ainda que as instituições financeiras mais atingidas pela crise são as dos países desenvolvidos. De outro lado, Mantega destacou que os emergentes dinâmicos, ou seja, que têm maior crescimento econômico, são menos atingidos pela crise, porque têm fundamentos mais sólidos, como reservas internacionais elevadas e o sistema financeiro foi pouco atingido.   No caso do Brasil, ele disse que o mercado financeiro não tem problemas com os ativos tóxicos norte-americanos. Ele destacou que é importante ter um crescimento maior para enfrentar a atual crise internacional.    Pacto   o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Aloizio Mercadante (PT-SP), defendeu o entendimento maduro e um pacto do Congresso Nacional para minimizar os efeitos da crise financeira internacional na economia brasileira.   Ao abrir a audiência pública da CAE, o senador disse que a crise é sem precedentes e, por isso, vai exigir também respostas sem precedentes. "Não podemos esconder nada. Temos que ter transparência", disse. Mercadante destacou que a crise está levando à maior coordenação internacional já vista na história entre os países.

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