Celso Junior/ AE
Celso Junior/ AE

Crise financeira está vencida no Brasil, afirma Lula

Ao comemorar resultado do PIB, presidente diz que acabou a 'empáfia' de empresários, trabalhadores e imprensa

Leonardo Goy, da Agência Estado,

15 de setembro de 2009 | 13h06

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 15, que, na sua opinião, a crise financeira global está vencida no Brasil e o que falta, agora, é a recuperação no mercado externo. "Acho que ela (a crise) está vencida no Brasil. O que tem é a dificuldade do mercado externo", disse o presidente, comentando que não sabe se o fluxo do comércio internacional voltará aos mesmos níveis de antes da crise.

 

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Ao comemorar o resultado da recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, Lula afirmou que "acabou definitivamente a empáfia" de empresários, trabalhadores e parte da imprensa. Em discurso de improviso para integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ele estendeu a crítica inclusive aos ex-presidentes da República. "Acabou a empáfia de presidentes da República que tinham medo de conversar com as pessoas. Acabou a empáfia de empresários que achavam que não precisavam do Estado e a empresa privada era a solução para tudo", disse o presidente.

 

No seu discurso, Lula ainda criticou os sindicalistas. "Acabou a empáfia dos trabalhadores que achavam que não podiam se sentar à mesa para discutir". O presidente também não poupou setores da imprensa. "Eu penso que acabou a empáfia de parte da imprensa que achava que com suas manchetes podia criar o clima que bem entendesse."

 

Ao comentar medidas tomadas pelo governo para combater a crise financeira, Lula ressaltou o diálogo com setores diversos da sociedade. O presidente avaliou que, no passado, por falta de diálogo, foram feitos muitos planos econômicos como o Bresser e Verão, que não deram certo. "Era como se a política fosse uma cartola de coelho. Você tira planos e planos que acabam não dando certo", acrescentou.

Lula disse ainda que o Brasil terá que se preparar para Copa do Mundo de 2014 "e se Deus quiser" para a Olimpíada de 2016. "Quem quer que assuma o governo (em 2011) terá mais obras a fazer do que temos hoje", disse.

 

Participaram do encontro os ministros da Fazenda, Guido Mantega, da Casa Civil, Dilma Rousseff, de Relações Institucionais, José Múcio, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

 

Spread

 

Lula também demonstrou preocupação com o spread bancário (diferença entre a taxa de captação e a taxa de empréstimo) no País. Ao explicar a política de juros, Lula disse que a taxa básica (Selic) está "sempre na cabeça das pessoas, mas ela nunca esteve tão baixa". "A taxa Selic é menos preocupante hoje do que a taxa do spread. É preciso reduzir o spread", afirmou o presidente.

 

O presidente disse ainda que é preciso elevar o padrão de consumo da sociedade e incentivar as compras. Ele fez um apelo aos empresários para que façam investimentos. "Quem parou na época da crise deve começar a fazer investimentos", afirmou.

 

Responsabilidade fiscal

 

Ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, Lula disse que o governo está atento ao controle da inflação. "Não vamos abrir mão de nossa responsabilidade fiscal e de controlar a inflação. Toda vez que ela volta, ela desgraça a vida do País", disse.

 

Em seu discurso, Lula avaliou que a fase mais difícil da crise já foi superada. "É como se uma febre tivesse passado. Agora, não é mais preciso dar antibiótico. É preciso dar vitamina," afirmou o presidente.

 

Reforma tributária

 

Lula afirmou que uma parte da sociedade brasileira não quer a reforma tributária. "Se quisesse, já teria acontecido", afirmou. Lula, que fala neste momento na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social(CDES), disse ainda que a discussão da política tributária "parece uma coisa velha e arcaica". "Só eu mandei duas ao Congresso. Nada aconteceu". Lula ressaltou que até pelo tempo que falta para acabar seu mandato não mandará outra proposta ao Congresso.

 

(com Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo)

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