Crise fiscal dificulta previsão em ano eleitoral

Para analistas, disposição do próximo presidente para fazer reformas será crucial

Thaís Barcellos e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2018 | 04h00

A gravidade do quadro fiscal aumentou a complexidade característica de anos eleitorais para as previsões da economia brasileira neste ano, segundo os vencedores da 12.ª Edição do Prêmio Broadcast Projeções, realizada nesta terça-feira, 17, em São Paulo. Dada a urgência em interromper a trajetória explosiva da dívida pública, a disposição reformista do próximo presidente é considerada crucial para saber o caminho dos indicadores macroeconômicos de 2019 em diante.

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Além da Previdência, os premiados apontam a necessidade de mudanças tributárias e na estrutura do Estado, e de medidas que aumentem a competitividade que, se empreendidas, devem possibilitar que a retomada econômica prossiga em 2019, com crescimento entre 2% e 3%. Para este ano, as previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) giram em torno de 1,5% depois da greve dos caminhoneiros. Outro fator que complica o cenário é a piora do quadro internacional para emergentes.

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“Estabilizar a economia e aumentar o quanto conseguimos crescer de maneira sustentável são os principais desafios para o próximo governo. O primeiro é mais emergencial e passa por um rebalanceamento significativo das contas públicas”, frisa Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, vencedor do Top 10 Geral do Prêmio Broadcast Projeções.

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Segundo Mesquita, a reforma da Previdência, a remoção de benefícios tributários e a redução do Estado permitiriam uma trajetória mais benigna da dívida pública, diminuição do risco país e melhora das condições financeiras, permitindo uma retomada mais robusta.

“Não tem como fugir”, diz o economista Leonardo Sapienza, do Banco Votorantim, sobre a necessidade da adoção de medidas fiscais. A mais urgente é a reforma da Previdência, pois a continuidade de aumento dos gastos na velocidade atual é insustentável. “Isso já parece que é ponto pacífico entre candidatos de direita ou de esquerda.”

Na agenda fiscal, o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, vencedor do Top 10 Básico, defende a manutenção do teto de gastos, que tem sido ponto de discordância entre candidatos. Além do foco no gasto público, ele defende uma simplificação tributária.

“O próximo governo terá de restringir a expansão das despesas, tem de fazer o Estado caber no que temos hoje, que é o teto de gastos”, acrescenta Sapienza, do Banco Votorantim.

Eleições. A eleição de um candidato não comprometido com as reformas fiscais pode ser fatal para o crescimento do País, diz o economista-chefe da Garde Asset, Daniel Weeks. “Como todo ano de eleição, não é fácil fazer cenários e temos de trabalhar com alternativas. Mas agora está um pouco pior, porque a situação fiscal chegou em um estágio tão grave que não podemos nos dar ao luxo de errar. Se for um cenário ruim, podemos questionar a solvência do País.”

O cenário alternativo, com a vitória de um candidato não reformista, tem ganhado força, segundo Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra. Mas ele lembra que o discurso do candidato nem sempre é realizado quando eleito. “Uma coisa é o discurso. Outra é ver a situação da economia após eleito e ter de fazer escolhas”, pondera. De qualquer modo, o cenário básico, que considera que o novo governo será reformista, indica crescimento entre 2,5% e 3% em 2019. Para esse ano, a previsão de 1,8% tem viés de baixa.

O problema neste ano foi a greve dos caminhoneiros, que paralisou a atividade econômica por semana, afetou a confiança dos agentes e prejudicou a oferta de vários produtos, que ficaram mais caros. “Vai deixar sequelas para a atividade no resto do ano”, sustenta Oliveira.

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