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Crise freia avanço de vendas na Black Friday

Faturamento do comércio online deve crescer 12% no evento deste ano, taxa inferior à registrada nas últimas edições

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2015 | 02h03

A crise provocou uma freada na expectativa de vendas para comércio online na Black Friday deste ano. A megaliquidação que ocorre na última sexta-feira de novembro e imita o evento tradicional nos Estados Unidos deve ter uma expansão de faturamento de 12%, segundo projeções da ClearSale, empresa especializada em detectar fraudes em transações eletrônicas. É uma taxa de crescimento muito inferior à registrada nos últimos anos, especialmente em 2014, quando o avanço foi de 95%. A expectativa é que o faturamento do comércio online atinja R$ 978 milhões em um único dia, em comparação a R$ 871 milhões na mesma data do ano passado.

Crise. Segundo o vice-presidente da ClearSale, Bernardo Lustosa, a crise é o fator que mais pesa na projeção de crescimento menor de vendas para este ano. De toda forma, ele pondera que existe o efeito base de comparação, já que a cada ano as vendas têm aumentado sobre as do ano anterior e, por isso, fica mais difícil sustentar o mesmo ritmo de crescimento.

Mas ele diz que, se for descontada a inflação do período, o crescimento de vendas neste ano será de 2,2%, um desempenho ainda favorável, na sua opinião. Isso porque no varejo físico o volume de vendas acumulado no ano já está no vermelho, segundo o IBGE.

Insegurança. Além da crise, que aumenta a insegurança dos empresários para definir o nível de descontos oferecidos neste ano, Juliano Motta, diretor geral do site Busca Descontos, que trouxe o evento para o País, acrescenta mais dois fatores que estão complicando o cenário.

Um deles é volta da cobrança da alíquota cheia de PI/Cofins para smartphones, computadores e tablets a partir de 1º de dezembro. "Isso deve encarecer o produto para o varejista", diz ele. Como a Black Friday está marcada par o dia 27 de novembro, se a fatura for quitada no dia 1º de dezembro, a volta da cobrança do tributo será um custo adicional para o varejista.

O outro fator é a pressão do dólar nos preços, especialmente dos eletrônicos que carregam uma boa parcela de componentes importados.

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