Crise global atrasou cronograma e afetou o empreendimento

Obra enfrentou desde problemas com atraso de fornecedores a dificuldades financeiras da ThyssenKrupp

Glauber Gonçalves, RIO, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2010 | 00h00

O memorando de entendimento para a construção da CSA foi assinado em 2004, quando as perspectivas para o setor era de crescimento vigoroso. A Thyssen chegou a falar que a empresa começaria a operar em meados de 2008. Mas o cronograma oficial, depois da assinatura do contrato, mudou a previsão do início das operações para o primeiro trimestre de 2009.

Além de ter de refazer o planejamento, por causa da ampliação da capacidade instalada de 4,4 milhões de toneladas para 5 milhões de toneladas, a CSA enfrentou dificuldades nas obras.

De acordo com o vice-presidente financeiro, Rodrigo Tostes, uma das empresas contratadas para tocar o empreendimento causou "sérios problemas", atrasando o cronograma. O executivo afirma também que o prazo destinado às etapas iniciais das obras, subestimado no projeto, teve de ser ampliado.

Analistas afirmam, entretanto, que a crise internacional de 2008 afetou seriamente o empreendimento, por causa das dificuldades financeiras enfrentadas pela ThyssenKrupp. A Vale, que no princípio detinha 10% da siderúrgica, aumentou sua participação para 26,87%, depois de uma oferta da sócia alemã.

A construção da CSA, que foi visitada duas vezes pelo presidente Lula, gerou também polêmica por causa da utilização de mão de obra chinesa. O contrato com a China International Trust & Investment Corporation (Citic) para a construção de uma coqueria (instalação em que o carvão é processado para produzir aço), previa a vinda de 600 técnicos chineses para acompanhar a construção. Hoje, cerca de 150 ainda atuam na obra.

Rodrigo Tostes defende a contratação afirmando que não há, no Brasil, profissionais com o conhecimento necessário para a construção da coqueria. Ele também disse que a vinda dos chineses estava ligada a uma cláusula de garantia.

"A escolha se baseou mais em qualidade do que em custo. Havia uma cláusula de performance guarantee, que assegurava que a coqueria produziria 1,9 milhões de toneladas de coque. Se não produzir isso podemos reclamar ", afirmou.

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