'Crise hídrica da grande São Paulo trouxe lições e temos que aprender', diz diretor da ANA

'Crise hídrica da grande São Paulo trouxe lições e temos que aprender', diz diretor da ANA

Diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, reforçou que é preciso mudar o padrão de consumo de água no País

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2016 | 11h36

SÃO PAULO - O diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, disse, durante o evento Fóruns Estadão com o tema Sustentabilidade, que a crise hídrica da Grande São Paulo trouxe lições sobre o tema. "Não podemos perder a oportunidade de aprender com essas crises, tirar algumas conclusões importantes a respeito delas e tomar medidas necessárias para que coisas como essas não venham a acontecer novamente".

Andreu diz que é preciso mudar o padrão de consumo de água no País. Ele lembra que São Paulo tinha 72 metros cúbicos de consumo geral para atender 20 milhões de habitantes e, na seca, chegou a 52. "A média na região metropolitana é de 320 litros por habitante por dia. É possível perseverar nesse tipo de consumo?", questionou. 

O biólogo e gerente nacional de água da The Nature Conservancy Brasil (TNC-Brasil), Samuel Barreto, alertou que, atualmente, ainda se faz uma gestão "romana" dos recursos hídricos. "Exporta, transporta, usa, descarta. Até o resíduo sólido tem um modelo mais inteligente, o de reciclagem. Usamos um modelo de mais de mil anos atrás", salientou durante participação no evento Fóruns Estadão com o tema Sustentabilidade. 

A coordenadora da rede de águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, destaca que a preservação da água precisa voltar a ter prioridade e que esse bem não pode ser tratado apenas como commodity. "Perdemos a nossa memória, a relação com os rios. Falar hoje para o jovem que mora em cidade urbana que é preciso defender a gestão da água não mobiliza tanto quanto o dia em que o Whatsapp foi suspenso por uma decisão judicial, por exemplo", afirmou ela durante o Fóruns Estadão com o tema Sustentabilidade,.

A coordenadora da Aliança pela Água, Marussia Whately, diz que é necessário haver um "avanço civilizatório" na gestão da água no País. "A região metropolitana de São Paulo tem um dos maiores graus de stress hídrico do planeta. A perda de água desta região daria para abastecer em torno de 6 milhões de pessoas. Isso é inadmissível", disse. "Não combina com o século 21 ter esse tipo de postura", continuou durante o Fóruns Estadão com o tema Sustentabilidade.

No mesmo painel, a coordenadora da rede de águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, destacou que a preservação da água precisa voltar a ter prioridade e que esse bem não pode ser tratado apenas como commodity.

 

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