Coluna

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Crise imobiliária dos EUA derruba o dólar

Moeda americana tem recorde de baixa ante o euro

O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

O dólar caiu ontem para o nível mais baixo da história ante o euro por causa do temor dos investidores com as conseqüências, para a economia, da crise imobiliária no mercado de crédito dos Estados Unidos. Na máxima do dia, a moeda européia alcançou US$ 1,3847. Na quinta-feira, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, estimou que as perdas no segmento de crédito imobiliário conhecido como subprime podem ficar entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões. "Ainda que nada tenha mudado fundamentalmente no mercado de residências, o tema é utilizado como desculpa para os investidores venderem dólares", disse Dixon Fung, estrategista de moedas da MG Financial. Ontem, a parte mais arriscada de dois índices que tomam por base as hipotecas subprime bateram recordes de baixa. A parcela com pior avaliação de crédito foi negociada por US$ 0,42, ante US$ 0,4486 na quinta-feira. "Claramente, estamos perto de uma crise de crédito e liquidez", disse Fidelio Tata, estrategista de derivativos do RBS Greenwich Capital. Seu colega Daniel Sheppard, diretor do Deutsche Bank Private Wealth Management, não vai tão longe, mas está preocupado. "Há uma completa incerteza sobre até onde o problema com o setor subprime irá", disse. "Acredito que a questão persistirá por um longo prazo." Segundo ele, há uma sensação de que o Bear Stearns "não é o único carregando a mala". Ele se refere a dois fundos hedge do Bear que tinham forte exposição a títulos lastreados em empréstimos subprime e praticamente viraram pó com a crise. Segundo Sheppard, outras empresas em Wall Street também devem ser atingidas por sua exposição ao subprime, "mas ninguém sabe quem são".O presidente do Fed de Saint Louis, William Poole, demonstrou preocupação pelos tomadores de crédito que lutam para pagar as dívidas e reiterou que o Fed está monitorando os problemas. Poole afirmou que os efeitos da crise serviram de castigo para algumas práticas de empréstimos e investimentos. "Um mercado com melhor funcionamento implicará fornecedores de empréstimos mais informados sobre a capacidade dos tomadores de pagar suas dívidas e tomadores de empréstimos que estejam mais informados sobre os compromissos que estarão firmando", observou Poole. O presidente do Fed de Saint Louis acredita que mais execuções de hipotecas vão surgir dos problemas do mercado hipotecário subprime, mas ressaltou que isso não deve representar uma ameaça à demanda geral de consumo nos EUA ou à saúde do sistema financeiro. "O melhor que posso dizer é que os problemas devem permanecer isolados (ao mercado subprime)", disse Poole. O Departamento do Tesouro americano também avalia que os problemas no mercado de hipotecas de maior risco parecem estar contidos e não ameaçam o sistema financeiro em geral. A informação foi divulgada pela agência Reuters, que não revelou a fonte.

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