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Crise imobiliária nos Estados Unidos preocupa FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está preocupado com os efeitos da crise imobiliária americana nos mercados financeiros dos Estados Unidos e, por extensão, do mundo todo. ''''O risco de crédito é, sem dúvida, o que mais se intensificou'''', observou o Fundo na revisão do Relatório de Estabilidade Financeira Global (GFSR, na sigla em inglês). ''''Esse mercado pode permanecer volátil à frente'''', advertiu o documento.Segundo Jaime Caruana, diretor do Departamento Monetário e de Mercado de Capitais do FMI, o processo de ajuste no mercado subprime não chegou ao fim. Subprime é o nome pelo qual os americanos identificam o segmento de crédito voltado para clientes com maior probabilidade de dar calote. Atualmente, esse segmento tem registrado alta inadimplência na área de imóveis. ''''É normal que vejamos volatilidade nesses mercados'''', avisou Caruana.O FMI observou que o número de créditos não pagos, insolvências e execuções judiciais continua crescendo. Para a instituição, ''''os perigos devem seguir se materializando'''' em altas das taxas hipotecárias.Apesar dos alertas, o FMI assegurou que ''''a solidez dos resultados macroeconômicos segue apontando para estabilidade global do sistema financeiro''''. A instituição acrescentou que vê evidências de que ''''os riscos, provavelmente, permanecerão contidos''''. ''''Os mercados estão diferenciando os fundamentos e as recentes correções têm se concentrado no subprime.''''Segundo Charles Collyns, vice-diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, o setor de imóveis continua a ser um obstáculo para a economia dos EUA. ''''Estamos acompanhando de perto.'''' O relatório lembra que as taxas de juros nos índices que representam os segmentos mais arriscados desses produtos subiram fortemente e causaram problemas para fundos hedge com exposição a esses títulos. O FMI citou os fundos do banco Bear Stearns na turbulência do mercado subprime.Nos mercados emergentes, o FMI continua vendo fundamentos melhores e avanços nos mercados de capitais locais, ''''embora vulnerabilidades financeiras persistam em alguns países''''.O Fundo advertiu que bancos e corporações de alguns países emergentes acessaram o mercado internacional para financiamento com complicação ''''para suas exposições em moeda estrangeira''''. Segundo Caruana, Europa emergente e Ásia encaixam-se nesse caso.AMEAÇA INFLACIONÁRIAO risco de uma elevação dos preços do petróleo permanece uma preocupação para a economia global, de acordo com a revisão do relatório Perspectiva Econômica Global do FMI. ''''Os bancos centrais podem ter de responder a pressões inflacionárias, à medida que se materializarem, de forma preventiva'''', disse Charles Collyns. Ele enfatizou também os riscos derivados dos custos dos alimentos nos emergentes.''''Os preços do petróleo voltaram a subir para recordes de alta ante o cenário de limitada capacidade ociosa de produção, enquanto os preços dos alimentos têm sido impulsionados pela escassez de oferta e aumento no uso de biocombustíveis'''', disse o Fundo.Para o FMI, a inflação permaneceu ''''bem contida apesar do forte crescimento global, embora alguns mercados emergentes e países em desenvolvimento venham enfrentando pressões inflacionárias crescentes, especialmente dos preços de alimentos e energia''''.Contudo, Collyns vê pressões também dos custos de mão-de-obra, principalmente nos países desenvolvidos. Com o forte crescimento global, o FMI vê aumento das limitações de oferta e afirma que os riscos de inflação aumentaram desde abril, data do relatório anterior. Esse fato ''''aumenta a probabilidade de que os BCs tenham de apertar mais a política monetária'''', reiterou o Fundo.O FMI elevou o preço do barril da commodity utilizado para balizar suas projeções. No relatório atualizado, divulgado ontem, o FMI assumiu o preço médio do óleo em US$ 63,75 por barril em 2007 e em US$ 68,75 por barril em 2008. No relatório anterior, divulgado em abril, os preços eram US$ 60,75 em 2007 e US$ 64,75 em 2008.

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