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Crise industrial se agrava em abril

ANÁLISE: Rogério César de Souza

O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2014 | 02h05

O cenário da indústria brasileira, que já não era nada favorável, piorou com os números de abril divulgados pelo IBGE. A queda de 0,3% da produção industrial em abril - taxa de variação com relação a março, com ajuste sazonal - refletiu um movimento generalizado de retração das atividades produtivas em três dos quatro grandes setores e em metade dos ramos da indústria nacional.

No setor de bens intermediários, o de maior peso dentro da indústria, após três meses consecutivos de variações positivas, a produção voltou a recuar em abril (-0,2%). Dados os avanços muito tímidos nos meses de janeiro, fevereiro e março (0,5%, 0,3% e 0,1%, nessa ordem - todas essas taxas com relação ao mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal), a produção de bens intermediários fechou o primeiro quadrimestre com retração de 1,5% em relação ao mesmo período de 2013.

A queda na produção do setor de bens duráveis em abril, ainda que prevista, chamou a atenção pela sua magnitude: -1,6%, após o já expressivo recuo registrado em março (-3,6%) - taxas relativas ao mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal. Com esses resultados, a produção de bens duráveis recuou 1% no acumulado dos quatro primeiros meses de 2014.

Com retração de 0,5% em abril, a produção do setor de bens de capital assinalou o segundo resultado desfavorável neste ano (-4% em março - ambas as taxas com relação ao mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal). No período de janeiro a abril de 2014, a produção do setor de bens de capital passou a acumular queda de 4,8%.

Vale observar que, no setor de bens de capital, a situação vem se agravando ao longo deste ano e, em todos os seus ramos, a produção apresenta números negativos no acumulado dos quatro primeiros meses deste ano. São resultados que aumentam ainda mais as preocupações com relação à indústria, já que, no final de 2013, a expectativa era a de que o setor de bens de capital pudesse, em 2014, fazer alguma frente ao desempenho mais fraco dos demais setores.

Ou seja, a indústria brasileira está em crise e tal crise é manifesta pelo fraquíssimo e titubeante desempenho de seu setor nuclear - o de intermediários - e pela retração de seus setores mais dinâmicos - de bens de capital e de bens duráveis. As estimativas de crescimento da produção industrial em 2014, assim como já foi feito para o PIB brasileiro, serão revistas - e também para baixo.

*Economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI)

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