Crise já afeta carros de luxo alemães

Daimler e Porsche alertaram que crescerão menos que o originalmente anunciado

Der Spiegel

21 de setembro de 2012 | 22h44

ALEMANHA - A crise financeira global e a ocorrência de uma recessão após uma recessão (double-dip) em muitos países não afetaram, em grande parte, a Alemanha nos últimos anos. Mas há sinais de que a tendência pode estar mudando.

A Daimler, fabricante alemã de carros de luxo, anunciou na quinta-feira que este ano não conseguirá repetir o resultado de 5 bilhões (US$ 6,52 bilhões) de lucros operacionais registrado em 2011. Antes do anúncio, a companhia esperava igualar os ganhos do ano passado.

"Na Europa, o mercado em geral está se deteriorando por causa de eventos mais negativos do que o previsto", afirmou a jornalistas o presidente executivo da Daimler, Dieter Zetsche, em Stuttgart. A agência Bloomberg também informou que o atual mercado de automóveis na Europa é o pior dos últimos 17 anos, e que os problemas começam a contaminar o setor de carros de luxo, outrora considerado imune à crise.

Nesta sexta-feira, o jornal Financial Times Deutschland noticiou possíveis planos da Daimler de adotar medidas no valor de 1 bilhão em cortes de custos.

As fabricantes do setor conseguiram proteger-se das crises que abalaram montadoras de automóveis populares, como Fiat, Opel, Ford e Peugeot nos últimos anos, porque clientes muito ricos da Rússia e da China continuaram comprando sedãs caros. A Daimler pôde contar com fortes vendas na Alemanha, EUA e China para manter elevados os seus lucros.

Desaceleração

A companhia observou que a situação na China está se tornando mais difícil, e que este país também está experimentando, desde o início do terceiro trimestre, uma contração do mercado interno de vendas de carros alemães.

A Daimler admitiu que parte do seu problema na China pode ser atribuída à organização local das vendas da companhia. No mês passado, as vendas da Daimler cresceram apenas 3% na China, em comparação com 38% da BMW e 24% da Audi, também fabricantes de carros de luxo alemãs.

Mas o aumento da concorrência e uma economia que não está se expandindo tão rapidamente quanto costumava também influi negativamente no setor de carros de luxo daquele país.

Além disso, a companhia enfrenta dificuldades na Europa. Mas lá não está sozinha. Na quarta-feira, Matthias Müller, presidente da Porsche, uma subsidiária da Volkswagen, anunciou que sua companhia registrará um aumento das vendas de automóveis no ano que vem em comparação a 2012, mas advertiu também que não produzirá os 155 mil veículos originalmente planejados, e que seu crescimento será inferior ao esperado.

Quanto à crise financeira global de 2008-2009, Müller afirmou que, desta vez, nenhuma companhia ficará imune à queda. "Todos os fabricantes de artigos de luxo foram afetados naquela época", afirmou. Naqueles anos, tanto a Daimler quanto a BMW reduziram a jornada de trabalho de sua mão de obra nos programas subsidiados pelo governo, com a finalidade de evitar demissões em massa.

Embora a Daimler e a Porsche estejam alertando que o futuro será bem menos promissor que o imaginado anteriormente, não está claro se o contágio se espalhará a concorrentes como a BMW e a Audi. As duas companhias anunciaram, na quinta-feira, que continuam otimistas quanto às perspectivas de crescimento no próximo ano.

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