Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Crise já mexe com mercado de emprego no mundo todo

Empresas como Cyrela, RBS e Citigroup anunciaram nesta sexta-feira que vão cortar funcionários

Redação com agências,

14 de novembro de 2008 | 13h11

A crise, que começou no mercado imobiliário norte-americano, atingiu o mercado financeiro e reduziu a oferta de crédito no mundo, chegou de vez à economia real. As empresas já anunciam corte de vagas de trabalho e investimentos. Em breve, haverá queda da renda. Com este cenário, não há mais dúvidas de que o mundo passará por um período de recessão.  Veja também:Zona do euro encolhe no 3º tri e entra em recessão pela 1ª vezRecuperação da Europa, EUA e Japão virá em 2010, diz OCDEPIB da Alemanha cai pela 2º vez consecutiva  Veja os principais pontos do encontro do G-20 em São PauloDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos No Brasil, o consenso é que a economia vai desacelerar. Para muitos setores, esta realidade já começou. O mercado automotivo e imobiliário dão os primeiros sinais. A Cyrela Brazil Realty, por exemplo, admitiu nesta sexta-feira que fará demissões no quarto trimestre para reduzir despesas administrativas. "Assim que fizermos (as demissões) vamos informar a magnitude ao mercado", disse hoje o diretor de Relações com Investidores da companhia, Luis Largman, em teleconferência com analistas e investidores. No terceiro trimestre, as despesas gerais e administrativas da Cyrela cresceram 96,2%, para R$ 58,8 milhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. As novas demissões vão abranger a Seller, empresa de vendas da Cyrela. "A Seller é um pilar importante para a Cyrela, mas se vai vender menos, também vai reduzir pessoal", disse o presidente da Cyrela, Elie Horn. A Cyrela reduziu sua previsão de Valor Global de Vendas (VGV) de lançamentos para 2008 para a faixa de R$ 5,25 bilhões a R$ 5,6 bilhões, ante estimativa anterior de R$ 7 bilhões. A meta de vendas caiu de R$ 5,5 bilhões para entre R$ 4,675 bilhões e R$ 4,95 bilhões. Para 2009, as projeções estão sendo revistas. As mudanças na Cyrela abrangem também a redução do prazo de pagamento dos imóveis aos compradores. "Estamos oferecendo menos prazo ao mercado em razão da crise, até que isso passe", disse o presidente da companhia. No caso da Living, braço da Cyrela para a baixa renda, o valor a ser pago até a entrega das chaves aumentou de 20% para 25%, de acordo com Horn. Nas unidades com preço até R$ 350 mil a empresa está buscando mais repasses dos clientes para os bancos. "Acima da faixa do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) nada mudou", acrescentou Largman. Ontem, a Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou que o nível de emprego na indústria paulista caiu 0,41% em outubro, ante setembro, sem ajuste sazonal. Essa foi a primeira queda para o mês desde 2003, quando o recuo foi de 0,63%. No mês, o resultado significou o corte de 10 mil postos de trabalho. A queda se manteve mesmo no resultado com ajuste sazonal: 0,13%. Vale já sente crise Outra empresa que já sente efetivamente o cenário pessimista que há vários meses impera no exterior é a Vale. O diretor-executivo de Finanças da mineradora, Fábio Barbosa, na primeira apresentação da companhia para investidores em Londres, admitiu que a empresa não esperava um ajuste tão rápido na demanda por aço na China, o que afeta diretamente o mercado da Vale.  "Não antecipamos a gravidade da crise." Segundo o diretor, até setembro o mercado chinês operava dentro da normalidade, tanto que os embarques foram recordes nesse mês e a companhia ainda tentava conseguir novo reajuste de preços, confiando na força da demanda. A Vale começou a perceber que a situação tinha se alterado em outubro, conforme Barbosa. A estratégia de nova elevação dos valores na China foi abandonada e, além disso, a empresa retirou o acréscimo de 12% que já havia sido acertado com japoneses e coreanos, como revelou recentemente. Barbosa lembrou que 51% do consumo de aço na China vem do setor de construção, muito abalado atualmente pela escassez de crédito. "O cenário de curto prazo não é bonito, para dizer o mínimo."  Bancos internacionais No cenário internacional, a crise já provoca estragos maiores. O Citigroup começou uma nova rodada de demissões e está aumentando as taxas de juros para os clientes de cartões de crédito, numa tentativa de melhorar a rentabilidade da companhia, de acordo com o Wall Street Journal.  Nesta semana, o Citigroup cortará pelo menos 10 mil funcionários de seu banco de investimentos e de outros setores da companhia em todo o mundo, segundo fontes. Pandit, instruiu os executivos da empresa a diminuir em pelo menos 25% os gastos com salários.  Nos últimos quatro trimestres, o Citigroup demitiu 23 mil pessoas, enxugando o quadro de funcionários para 352 mil até 30 de setembro. O corte anunciado recentemente foi o maior até o momento. De acordo com uma fonte, o objetivo é reduzir o número de empregados do Citigroup para 290 mil até o ano que vem.  Na Europa, o Royal Bank of Scotland (RBS) planeja cortar três mil empregos em seus segmentos de mercados e atividades bancárias globais, informou a BBC, nesta sexta-feira. O banco, que emprega cerca de 170 mil pessoas, das quais 100 mil no Reino Unido, não falou diretamente sobre os cortes. "Nós constantemente revemos nosso modelo operacional para ter certeza de que ele é apropriado para as condições do mercado" De acordo com a BBC, os cortes ocorrerão durante as próxima semanas.  Carros e tecnologia A Nissan Motor informou nesta sexta que estenderá os planos de cortar a produção de automóveis em meio à desaceleração dos gastos do consumidor, reduzindo a produção no Japão em 72 mil veículos a partir de dezembro. A terceira maior montadora japonesa em vendas disse que o corte significará a perda de 500 empregos de curto prazo nas operações japonesas em 2009. Na área da informática, a Sun Microsystems informou nesta sexta que cortará entre 5 mil e 6 mil empregos. A crise econômica aumentou os problemas enfrentados pela companhia devido à fraca demanda por computadores sofisticados. A Sun informou que o corte de empregos representa de 15 a 18 por cento de sua força de trabalho e faz parte de um plano mais amplo de reestruturação, que pretende economizar entre 700 milhões e 800 milhões de dólares.  A empresa espera registrar um total de gastos em uma faixa entre 500 milhões e 600 milhões de dólares nos próximos 12 meses, em linha com o plano de reestruturação, que também inclui o realinhamento de sua divisão de software. A Nokia também se pronunciou nesta sexta e afirmou que prevê queda nos volumes da indústria em 2009. As possíveis demissões não foram citadas diretamente, mas a empresa comentou a desaceleração das principais economias do mundo. A maior fabricante de celulares do mundo afirmou que o mercado de telefonia móvel deve ser mais fraco do que o esperado no quarto trimestre por causa da crise econômica e que deve recuar mais em 2009.

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