finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Crise já respinga na economia real

Importadores perdem com alta do dólar e exportadores são prejudicados com queda no preço de commodities

Rosangela Dolis, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

A crise no mercado financeiro já atingiu em cheio os investidores, especialmente quem se animou nos últimos meses com o bom desempenho da Bolsa e apostou em ações - desde o início da crise, em 26 de julho, a Bolsa caiu 14,26%. Mas ela já começa a respingar na economia real. As empresas importadoras são afetadas pela desvalorização do real, que encarece os produtos comprados lá fora.O setor exportador, embora se beneficie com a alta do dólar, num primeiro momento, poderá ser prejudicado por redução na demanda se o crescimento mundial se desacelerar. ''''Os preços internacionais das commodities já estão caindo'''', diz o professor de economia da PUC Antônio Corrêa de Lacerda. Pequenos empresários, por enquanto, são espectadores da crise, mas também sofrerão se as grandes empresas tiverem de reduzir o passo.INVESTIDORPara o investidor, a continuidade da queda da Bolsa e da alta do dólar e a oscilação mais forte dos juros são fatores de risco. ''''Esse cenário deve ser observado antes de qualquer movimentação de recursos neste momento'''', diz o administrador de investimentos Fábio ColomboSe o investidor estiver com no máximo 20% do capital na Bolsa e o restante em fundos DI, de renda fixa ou na poupança, Colombo recomenda que ele ''''não se movimente''''.Se o capital em Bolsa superar 20%, ''''é recomendável diminuir a exposição, e aos poucos'''', ele diz, mesmo com perdas, fazer a diversificação em fundos DI com taxa de administração máxima de 1,5% ou caderneta de poupança. ''''Fundos DI são mais indicados que os de renda fixa porque têm rendimento pós-fixado, ou seja, acompanha a oscilação das taxas no mercado em momento de stress.''''Colombo observa que depois de quase cinco anos de alta, a Bolsas tem gordura para queimar. ''''O investidor tem de decidir se sai com alguma perda agora ou se, na tentativa de recuperar perdas, corre o risco de o prejuízo aumentar.''''Para o dinheiro novo, o destino deve ser o fundo DI, enquanto se aguarda um cenário mais claro. ''''E, para quem não tem nada na Bolsa, momento de baixa como este é indicado para compra, mas aos poucos.''''IMPORTADORO dólar mais caro - a alta desde o início da crise é de 12,05% - é desfavorável ao setor porque encarece o produto importado e reduz sua competitividade em relação ao local. Empresas que acreditam que a alta do dólar é momentânea podem analisar a opção de adiar o fechamento de contratos. Diante da oscilação do dólar, Lacerda recomenda às empresas que importam e exportam que façam hedge (proteção) ''''natural'''', ou seja, mantenham equilíbrio entre importações e exportações para que as perdas em uma área sejam compensadas com ganhos na outra.EXPORTADORO setor se beneficia com a alta do câmbio porque recebe mais reais pelos dólares que traz do exterior. Porém para empresas que exportam commodities, o risco é os preços internacionais baixarem, como já está ocorrendo, aliás, diz Lacerda. É que uma desaceleração do crescimento mundial vai ter o efeito de reduzir a demanda.De acordo com o professor, por ora, a desvalorização do real está compensando as perdas de exportadoras de commodities com a redução dos preços internacionais. No quadro atual, ainda, empresas que acreditam que a alta da moeda americana é momentânea podem antecipar vendas ao exterior.PEQUENAS EMPRESASPara empresas em geral, por enquanto, o impacto da crise financeira está relacionado ao dólar e, portanto, mais restrito a quem faz trocas com o exterior. ''''Não é o caso das pequenas empresas, pois apenas cerca de 5% têm essa atividade'''', diz Milton Dallari, diretor do Sebrae. ''''Por isso, por ora, o segmento é espectador da crise'''', ele explica.Se a crise respingar nas grandes empresas, no entanto, o segmento das pequenas poderá ser prejudicado. ''''A tendência é as empresas para as quais as pequenas fornecem a sua produção reduzirem encomendas'''', alerta Dallari.IMPACTOSINVESTIDOR Continuidade de queda da bolsa e alta dos juros e do dólar oferecem riscos. A orientação é diversificar as aplicações em fundos DI e caderneta de poupança, mantendo em bolsa no máximo 20% do total, e não procurar proteção no dólar, que já subiu muito desde o início da crise. Como os preços de ações caíram, pode ser interessante começar a comprar aos poucosIMPORTADORO câmbio mais alto é desfavorável ao setor, porque encarece o produto importado e reduz sua competitividade em relação à oferta local. Empresas importadoras que acreditam que a alta do dólar ante o real é momentânea podem adiar o fechamento de compras no exteriorEXPORTADORO setor se beneficia com a alta do dólar, porque fica mais competitivo, mas é prejudicado com redução da demanda e dos preços internacionais de commodities pelo receio de desaceleração da economia mundial. Empresas que acreditam que a alta da moeda americana é momentânea podem antecipar vendasPEQUENAS EMPRESASPor enquanto, setor de pequenas e microempresas é apenas ''''espectador''''da turbulência no mercado financeiro, porque tem pouca relação com o mercado externo e a economia local está aquecida. Será afetado se a crise se espalhar e chegar à economia real, porque isso reduziria encomendas de grandes empresas ao segmento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.