Crise leva populismo na América do Sul a limite, diz ‘FT’

Para o jornal, os efeitos políticos da desaceleração podem ser mais duradouros que os econômicos

Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado,

26 de agosto de 2013 | 10h13

LONDRES - O jornal britânico Financial Times acredita que o efeito político da desaceleração econômica que atinge os países sul-americanos pode ser mais duradouro que o impacto econômico. Em editorial publicado na edição desta segunda-feira, a publicação afirma que a desaceleração da economia "agora está atingindo outros emergentes, sobretudo na América do Sul. "Os efeitos políticos da desaceleração podem ser mais duradouros que os econômicos. A maré rosa pode começar a retroceder", diz o texto, afirmando que o "populismo encontrou seus limites" na região e "decisões difíceis já não podem ser disfarçadas".

O editorial lembra que a América do Sul desfrutou uma década de bonança com o boom das commodities, que começou em 2003. A região foi amplamente beneficiada pelo aumento de preços de commodities, como o petróleo, soja e cobre. "O balanço de pagamentos alcançou o superávit, permitindo maiores importações. A entrada de capital fomentou o auge do crédito. As receitas dos governos também dispararam, assim como o gasto social do Estado", diz o texto.

Para o jornal, "é por isso que os partidos de esquerda continuaram a ganhar eleições em países tão diversos como a Argentina, Brasil, Equador e Venezuela", ao comentar que essa esquerda oferecia a proposta de um Estado com um "capitalismo ao estilo chinês no lugar da variante anglo-saxã em crise". Esse modelo, porém, tinha um "toque local", "que prioriza o consumo sobre o investimento".

"Se trata de um enfoque politicamente eficaz", diz o editorial, que critica, porém, que esse modelo não atentava para a eficiência. "Alguns países como Chile, Colômbia e Peru mantiveram o ritmo de reformas e, inclusive, de guardar as receitas extraordinárias", diz o texto, que comenta que o grupo fez o contraponto político no tema. O FT reconhece, sem citar nomes, que alguns países estão tentando retornar ao pragmatismo, "mas não à ortodoxia". "Alguns países estão retornando ao pragmatismo, mas não à ortodoxia. O populismo encontrou seus limites. Decisões difíceis já não podem ser disfarçadas", diz o texto.

"No Brasil, o Partido dos Trabalhadores governou o país com grande êxito desde o ano de 2003. No entanto, após os recentes protestos e a desaceleração da economia, já não é tão certa a ideia de que Dilma Rousseff vai ganhar as eleições do próximo ano. Ela tem que recuperar a confiança na economia e no investimento privado. Ela cortou gastos, deu liberdade ao Banco Central para combater a inflação e aumentou o retorno ao investidor do programa de infraestrutura no Brasil", diz o editorial.

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