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Crise muda geografia das exportações brasileiras

A crise econômica e as dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros de manufaturados estão mudando a geografia das exportações do País, em processo cada vez mais acelerado. A China, que ultrapassou pela primeira vez os Estados Unidos como comprador dos produtos do Brasil em março, ampliou a distância em abril. A Argentina, segundo lugar do ranking no ano passado, estacionou na terceira posição.A distância entre a participação da China em relação à dos EUA passou de quatro pontos porcentuais em março para sete pontos em abril. Enquanto os chineses importam do Brasil, especialmente, commodities como minério de ferro, soja e petróleo, os argentinos, recebem, sobretudo, produtos industrializados como automóveis, celulares e autopeças. A pauta americana também está concentrada em produtos básicos.Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o ganho de participação da China é extraordinário. Praticamente dobrou ao passar de 9,45% em abril do ano passado para 18,11%, em abril deste ano. No primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2008, saltou de 5,40% para 10,89%. Na direção contrária, a fatia dos EUA passou de 12,99% em abril do ano passado para 10,77%, em abril de 2009. E a da Argentina, de 9,74% para 6,69%. O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, disse que a crise acelerou essas mudanças. E uma recuperação do mercado de manufaturados na América do Sul, América Latina e EUA levará tempo após o início da recuperação. Segundo o boletim da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) relativo a maio, as exportações brasileiras de produtos básicos em dólares, em abril , subiram 21,3% ante igual mês de 2008, enquanto as de produtos manufaturados caíram 31,2%. "Já no início da crise estava claro que a América do Sul seria o destino que mais afetaria nossas exportações, já que é um mercado importante para os manufaturados", explica Augusto de Castro. Para ele, o País prioriza as vendas externas de commodities, mas perde mercados de manufaturados já conquistados. Ele avalia que as exportações de manufaturados "vão muito mal" porque dependem de financiamento e demanda. E prevê que a situação se mantenha ruim pelo menos até o fim deste ano. Ele ainda acredita que o Brasil está enfrentando as consequências de "abandono" do mercado americano. Há seis anos, as exportações para os EUA incluíam manufaturados e, agora, priorizam commodities como ouro e petróleo. "Perdemos espaço, naquele mercado, em setores como autopeças, vestuário e calçados", afirmou, lembrando que, também nesse caso, a recuperação será lenta, difícil e vai esbarrar na concorrência forte chinesa. No primeiro trimestre, os principais blocos de destino das vendas brasileiras perderam participação, exceto no caso da Ásia, que ganhou fôlego por causa da China. As mudanças continuam em curso, de forma acelerada, como mostram os resultados de abril. A Associação Latino Americana de Integração (Aladi) reduziu a sua fatia de 23,54% no primeiro trimestre do ano passado para 19,29% no mesmo período deste ano. Em abril, era de 16,06%. No caso do Mercosul, a perda foi de 12,40% para 9,06% no período, chegando a abril em 8,30%. No que diz respeito à União Europeia, o recuo de fatia foi menor no período, de 24,88% para 24,06%. Em abril, foi de 20,79%. No caso da Ásia (exceto o Oriente Médio) a participação passou de 15,17% no primeiro trimestre de 2008 para 22,76%, no primeiro trimestre de 2009. Em abril, a fatia da Ásia já chegava a 29,95%.

Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

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