Crise mundial será longa, alerta vice-presidente do BNDES

Segundo João Carlos Ferraz, turbulência financeira deve ter velocidades diferentes no impacto sobre os países com economias avançadas e emergentes

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

28 de novembro de 2011 | 16h15

O vice-presidente do BNDES, João Carlos Ferraz, afirmou que a crise mundial é longa, mas deve ter velocidades diferentes no impacto sobre os países com economias avançadas e os que são emergentes. "No Brasil, há paralisação de emissões de bônus que estavam prontas", destacou.

"Em função da crise, o comércio externo pode desacelerar e disparar protecionismo, o que seria indesejável", afirmou. Ele ressaltou, contudo, que há espaço para que ocorra o fortalecimento da relação econômica entre Brasil e Portugal.

Ferraz disse ainda que na crise de 2008 houve um puxar de freio dos agentes econômicos e na atual crise ocorreu uma redução da atividade doméstica, e não uma puxada de freio.

Segundo ele, o Brasil entrou o ano de 2011 com crescimento de 7,5% e a decisão do governo foi de desacelerar a economia. Esse movimento de desaceleração da economia foi feito, lembrou, utilizando alguns instrumentos, como alta dos juros. Ferraz participou hoje de encontro de empresários da Câmara Portuguesa de Comércio.

'Tombini

está virando uma entidade'

Ferraz afirmou também que a decisão do Banco Central de 31 de agosto de realizar uma inflexão na política monetária, depois de ter elevado os juros em 1,75pp de janeiro a julho, se tornou uma avaliação positiva perante os agentes econômicos.

"(Alexandre) Tombini está virando uma entidade. O mercado parece estar convencido que as decisões dele estavam certas", comentou.

Ele destacou que logo depois da decisão do Copom do final de agosto muitos interlocutores manifestaram grande surpresa com a decisão do Banco Central. Os ex-presidentes do BC Gustavo Loyola e Affonso Celso Pastores chegaram a manifestar no dia 1 de setembro que a autoridade monetária havia abandonado o regime de metas de inflação.

 
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