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Crise na Argentina faz Vale reavaliar projeto de US$ 5,9 bilhões no país

Mesmo com planos de se tornar uma das quatro maiores produtores de fertilizantes do mundo, a Vale decidiu reavaliar o projeto de potássio Rio Colorado, na Argentina, orçado em US$ 5,9 bilhões. A decisão tem como pano de fundo as preocupações do comando da mineradora com a atual situação no país vizinho.

MÔNICA CIARELLI, RIO, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h04

Ontem, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, revelou que um estudo minucioso de toda a operação do projeto já foi encomendado. "Ainda é muito cedo para dizer qual será a nossa recomendação no final. Mas, certamente, estamos muito preocupados", afirmou. O diagnóstico deve ficar pronto até a segunda semana de maio. Além de incertezas políticas, também estão no radar da mineradora a escalada da inflação no país, os temores em relação a impostos e problemas de infraestrutura.

Recentemente, a Argentina tem sido palco de crises envolvendo companhias estrangeiras. A situação mais grave ocorreu na semana passada com a espanhola Repsol, que teve a maioria de suas operações no país sob o guarda-chuva da YPF nacionalizada pelo governo da presidente Cristina Kirchner.

O caso provocou uma crise sem precedentes entre a Argentina e a Espanha e levantou incertezas sobre a atuação de outras multinacionais no país. No mesmo setor, a brasileira Petrobrás também teve problemas na Argentina. O governo da província de Neuquén suspendeu autorizações concedidas para exploração de um bloco na região.

Mas Ferreira argumenta que a decisão de reavaliar o projeto Rio Colorado foi tomada antes da nacionalização da YPF. "Nós já estávamos fazendo uma verificação por conta de uma potencial explosão inflacionária prevista pelos analistas quando aconteceu esse evento político", disse. E completou: "Esse evento político é mais um elemento de preocupação para nós, mas ele não é exclusivo nem foi o detonador da situação", argumentou o executivo.

Com previsão de entrada em operação no segundo semestre de 2014, o projeto Rio Colorado já recebeu US$ 1,1 bilhão. Localizado na região de Mendoza, o investimento foi planejado para ter uma capacidade inicial de 2,1 milhões de toneladas de potássio por ano, com previsão de expansão para 4,3 milhões de toneladas. Além da mina, o empreendimento inclui a construção de um terminal marítimo, a renovação de 440 quilômetros de trilhos e construção de outros 350 quilômetros de ferrovia.

Em julho do ano passado, o governo de Mendoza chegou a suspender a autorização para a Vale investir na região, alegando que a mineradora não estava cumprindo termos de um acordo acertado anteriormente. A suspensão acabou sendo revista duas semanas depois.

Tributos. Na teleconferência, o presidente da Vale se mostrou confiante em uma solução para a disputa jurídica bilionária que trava com a Receita Federal em torno da cobrança de Imposto de Renda de coligadas no exterior. O imbróglio envolve ações que somam cerca de R$ 30 bilhões. Segundo ele, a tese da Vale é "robusta", mesmo do ponto de vista político.

"Eu tenho sempre ouvido da presidenta (Dilma Rousseff) e das nossas autoridades a importância de se ter empresas brasileiras campeãs no exterior", disse o executivo. E completou: "A Vale se orgulha de ser uma dessas empresas líderes."

Para Ferreira, o importante é dar segurança jurídica a essas companhias. O presidente da Vale admitiu que o atual ambiente de incertezas acaba influenciando na precificação das ações da mineradora.

De acordo com ele, os investidores estrangeiros são os mais preocupados com os desdobramentos do questionamento tributário, por não conhecerem os procedimentos do sistema jurídico brasileiro.

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