Crise na Bolívia faz Brasil planejar racionamento de gás

O Ministério de Minas e Energia está preparando um plano de racionamento - que prefere chamar de "plano de contingência" - para a distribuição de gás natural em função da crise política e econômica da Bolívia. A medida somente será adotada se a Bolívia interromper o fornecimento do produto ao Brasil. O gás boliviano representa a metade do que é consumido no País: de um total de 40 milhões de metros cúbicos por dia, a Bolívia fornece 20 milhões de metros cúbicos. O produto é utilizado em usinas térmicas, residências, veículos e indústrias.A idéia é identificar quais desses setores, que dependem do gás como combustível, terão atendimento prioritário e qual será a escala de prioridade entre eles. Segundo estimativas do mercado, os veículos movidos à gás consomem por dia de 5,6 milhões a 6 milhões de metros cúbicos do combustível.Ao todo, são 900 mil veículos movidos a gás no Brasil, a maioria presta serviço de taxi. Somente no Estado do Rio de Janeiro, é consumido um terço do total de gás utilizado em veículos. Em São Paulo e Minas Gerais, o consumo também é representativo se comparado ao de outros Estados. Esses veículos, no entanto, são bicombustíveis e poderiam continuar rodando, com outra fonte de abastecimento.A população boliviana vem realizando constantes protestos para nacionalizar a exploração de petróleo e gás. A crise levou o presidente Carlos Mesa a renunciar esta semana. O Congresso boliviano aprovou, no mês passado, uma lei que aumentou os impostos sobre a produção de combustíveis. Na ocasião, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, disse que essa decisão não afetaria o contrato de fornecimento de gás com o Brasil. Dilma estará no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, em solenidade de conclusão das obras de construção da plataforma petrolífera P-47, prevista para as 10 horas.

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