Crise na Espanha reduz lucro mundial pela metade

O lucro líquido global do Santander caiu pela metade no primeiro semestre, após uma baixa contábil de desvalorizados ativos imobiliários espanhóis. O banco espanhol teve lucro líquido de € 1,7 bilhão após a baixa contábil de € 2,78 bilhões. O resultado para o período antes das provisões foi de € 3 bilhões, dentro das expectativas de analistas.

MADRI, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h08

O banco sofreu menos do que outros rivais na Espanha com a crise no país por causa dos negócios diversificados - que incluem, além do Brasil, México, Polônia e Reino Unido. A América Latina responde por metade do lucro do Santander e o Brasil, sozinho, por 26%.

No entanto, analistas se mostraram desapontados com as menores receitas na região e maiores perdas em crédito, especialmente no Brasil. "O Brasil foi a grande decepção", disse o analista Jaime Beceriil, do JP Morgan.

O Santander disse que completou 70% das baixas contábeis pela retomada de imóveis e empréstimos irrecuperáveis exigidas por reguladores, em uma tentativa tardia de reconhecer perdas da crise imobiliária de 2008.

Apesar de estar em linha com as provisões pedidas pelo governo espanhol, operadores ficaram surpresos que o banco tenha abatido as perdas tão cedo.

"As provisões que estamos fazendo vão nos permitir colocar as baixas contábeis imobiliárias na Espanha atrás de nós até o fim deste ano", disse o presidente do conselho do banco, Emilio Botin, em comunicado.

O Santander tem de fazer baixa contábil de € 8,8 bilhões até o fim do ano após duas reformas promovidas pelo governo em fevereiro e maio. Com o anúncio de ontem, o banco cobriu até agora € 5,99 bilhões.

O Santander afirmou que não haverá mudança na política de dividendos. Na quarta-feira, a espanhola Telefónica desistiu de dividendos programados para 2012 enquanto tenta reduzir dívida em um ambiente de recessão. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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