Crise na Europa e juros podem afetar ritmo de contratações em 2010

Especialista afirma, contudo, que riscos não são grandes e que meta de 2 milhões de vagas é viável 

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

18 de fevereiro de 2010 | 15h33

A geração de empregos no Brasil em 2010 pode ser prejudicada pelo cenário de risco soberano nos países do sul da Europa, segundo avalia o professor do departamento de economia da PUC Rio e economista da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo. Ele acredita que um agravamento da crise nesses países poderá levar a uma restrição internacional de crédito, comprometendo um pouco as perspectivas de crescimento da economia brasileira. "Não seria um efeito tão forte como o que ocorreu no final de 2008, mas a falta de crédito afeta o nível de produção e emprego muito mais rapidamente que outros fatores, como juros", explicou.

 

Os juros também podem reduzir o ritmo de crescimento de vagas. Segundo ele, as atuais pressões inflacionárias poderão levar a uma antecipação da trajetória de alta da taxa básica de juros (Selic), o que sempre afeta o ritmo de contratações, mesmo que o efeito não seja imediato. Ele explica que, com a alta dos juros, os empresários poderão concluir que haverá redução do nível de atividade e, assim, contratar menos. "Mas isso (o efeito) não ocorre em curtíssimo prazo, nem será muito grave", afirmou.  

 

Apesar disso, Camargo diz que os riscos não são grandes e que a meta de 2 milhõesdo ministro do Trabalho é possível de ser alcançada esse ano. O mercado de trabalho terá um bom desempenho no País este ano, na avaliação de Camargo. 

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