Crise na Europa é ''preocupante'', afirma Luciano Coutinho

Para presidente do BNDES, Brasil deve ser prejudicado nas vendas externas para continente, mas diz que há opções

Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou ontem que a crise na Europa é "preocupante" e que terá impacto nas exportações brasileiras para o continente, responsável por 22% do comércio exterior do país. Apesar do "efeito global da crise", o executivo acredita que os desdobramentos para a economia brasileira serão reduzidos.

"O problema da economia brasileira não é o de crescer. É o de crescer demais", disse. Segundo ele, o trabalho hoje do governo é moderar o crescimento da economia para que não gere pressões inflacionárias. O fato da pauta de exportações brasileira ser diversificada é outro ponto levantado por Coutinho que minimizaria os reflexos negativos da crise para o país.

O presidente do BNDES lembra que o comércio com economias asiáticas vem aumentando nos últimos anos, o que pode compensar a queda nas vendas para a Europa. "Com esta crise, o prazo de recuperação europeia deve ser ampliado por pelo menos dois anos e isso deve fazer com que a recuperação mundial dependa mais uma vez quase que exclusivamente das economias emergentes, como China, Índia e Brasil. Esses países já têm demonstrado uma capacidade quase autônoma de crescimento", previu.

Petróleo. Durante uma palestra no III Foro Brasil- União Europeia, Coutinho afirmou que os investimentos totais na cadeia produtiva do petróleo podem chegar a US$ 202,2 bilhões entre 2009 e 2013. O levantamento inédito apresentado pelo executivo considera além do orçamento de US$ 112 bilhões da Petrobrás para o período, o impacto que essa cifra terá sobre o restante da cadeia produtiva. A expectativa é de que gere mais US$ 90 bilhões em investimentos indiretos.

Pelo estudo, os projetos ligados a exploração e produção de petróleo na camada pré-sal vão representar 22% do total de US$ 202,2 bilhões. A previsão é de que o setor de serviços seja o mais beneficiado pelos efeitos indiretos dos investimentos programados pela estatal, gerando US$ 34 bilhões.

Já o segmento de máquinas e equipamentos é o que vai receber mais recursos diretos da Petrobrás (US$ 43,1 bilhões), mas, a aplicação dessa cifra vai proporcionar um efeito indireto mais modesto, de cerca de US$ 8,3 bilhões.

Grande produção. Para Luciano Coutinho, o Brasil não pode ser apenas um comprador de equipamentos e exportador de petróleo bruto, modelo adotado por alguns países com grandes reservas de óleo e gás.

"Nós temos que desenvolver uma base grande de produção aqui. A escala do investimento é muito grande, temos uma base que vai precisar de mais siderurgia, com mais chapa grossa, de mais insumos para siderurgia, vai precisar de mais ferrovias, estaleiros, mais equipamentos", explicou.

Segundo ele, promover o desenvolvimento dessa grande cadeia produtiva é um desafio, porque não seria "inteligente" para o Brasil optar por um modelo de país exportador, que apenas vende o petróleo, sem promover o crescimento da indústria local.

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LUCIANO COUTINHO

PRESIDENTE DO BNDES

"Com esta crise, o prazo de recuperação europeia deve ser ampliado por pelo menos dois anos e isso deve fazer com que a recuperação mundial dependa mais uma vez quase que exclusivamente das economias emergentes, como China, Índia e Brasil. Esses países já têm demonstrado uma capacidade quase autônoma de crescimento"

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