Crise na Europa volta a assustar e dólar dispara para R$ 1,84

Cenário:

SILVANA ROCHA , O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h07

A percepção de que o acordo de união fiscal selado na última semana pelos líderes europeus não deverá evitar um rebaixamento em série dos países da zona do euro pelas agências de rating provocou ontem uma nova rodada de aversão ao risco. O euro desabou para o menor nível em dois meses, de US$ 1,31, enquanto o dólar se sobressaía ante outras moedas. Numa reprise do que ocorreu lá fora, a moeda norte-americana ganhou força, fechando na máxima do dia, a R$ 1,8440 no mercado de balcão, alta de 2,10%, valor mais alto desde 29 de novembro. No mercado futuro, o dólar para janeiro foi cotado R$ 1,8540, alta 2,52%. e com giro financeiro de US$ 15,996 bilhões ou 30% maior que o registrado na sexta-feira. O forte ajuste do dólar ocorreu principalmente no fim da sessão e resultou, aparentemente, de um fluxo cambial negativo decorrente de remessas de lucros e dividendos de empresas ao exterior.

A notícia de que a agência de classificação de risco Moody´s irá rever os ratings de todos os países da União Europeia no primeiro trimestre de 2012 azedou o humor, restaurando o pessimismo com a falta de uma solução concreta para a crise na região do euro. A agenda desta terça-feira também contribuiu para a posição defensiva dos investidores. Nos EUA, o Federal Reserve (BC norte-americano) deve anunciar hoje a manutenção da atual política monetária, com taxas de juros dos Fed Funds na faixa de zero a 0,25%, mas o mercado ficará de olho no que a autoridade vai dizer sobre a perspectiva econômica do país. E. na Europa. sai o relatório trimestral da Comissão Europeia sobre a zona do euro e serão realizados os leilões de títulos da Bélgica, da Espanha e da Grécia. Ontem, as bolsas da região devolveram os ganhos da semana passada e encerraram nas menores pontuações do dia. Em Nova York, as baixas ficaram ao redor de 1,5%, influenciadas também pela Intel, que cortou a meta para o trimestre atual.

Na Bovespa, a queda foi disseminada, com o índice à vista experimentando queda superior a 2% no momento mais crítico do dia. No final, o Ibovespa reduziu a baixa para 1,53%, aos 57.346,86 pontos, e giro financeiro de R$ 6,8 bilhões.

Influenciado pela piora externa, o mercado de juros devolveu prêmios, especialmente no período da tarde. Também contribuiu para a queda das taxas futuras a revisão em baixa, contida no boletim semanal Focus, divulgado pelo Banco Central. das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), taxa básica de juros, a Selic, e IPCA em 2012.

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