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Crise na Grécia e risco de default derrubam bolsas em todo o mundo

Fracasso nas negociações do fim de semana entre a Grécia e os credores internacionais provocou a queda das bolsas de valores; investidores fugiram de títulos da dívida de países como a Espanha, com receio do contágio da crise grega

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2015 | 22h23

PARIS - A tensão crescente envolvendo o risco de default de pagamentos pelo governo da Grécia derrubou as bolsas de valores em todo o mundo nesta segunda-feira. Em reação ao fracasso das negociações em Bruxelas no fim de semana, os investidores fugiram de títulos de dívidas soberanas de países como a Espanha, e o pessimismo atingiu os mercados financeiros de Frankfurt, Paris e Milão, as maiores praças da zona do euro, e também de fora da Europa, como Nova York e mesmo São Paulo. Na contramão do pessimismo, o presidente da França, François Hollande, afirmou na noite desta segunda-feira que acredita em um acordo para salvar Atenas mais uma vez.

A onda de pessimismo atingiu as principais capitais após o fim de semana de trabalho entre negociadores da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) com seus interlocutores gregos em Bruxelas. Segundo fontes ouvidas pela agência France Presse, Atenas adotou a estratégia de apostar todas as fichas em um acordo político entre presidentes e primeiros-ministros em 20 de junho, minimizando as negociações técnicas. Essa situação teria levado Poul Thomsen, diretor do Departamento Europeu do FMI, a abandonar a mesa de discussões.

Uma nova rodada de debates está prevista para quinta-feira, durante a reunião de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), que terá a presença extraordinária da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. A mobilização se dá porque o governo radical de esquerda de Alexis Tsipras tem até o dia 30 para fazer o pagamento de  1,6 bilhão em reembolsos devidos ao FMI, relativos a todas as prestações do mês de junho cujos vencimentos foram adiados.

Para tanto, o ministro grego de Finanças, Yanis Varoufakis, afirma precisar da última parcela do segundo plano de resgate concedido à Grécia, em 2012. A prestação, no valor de  7,2 bilhões, está bloqueada desde agosto, a forma encontrada pelos credores internacionais de pressionar Atenas a prosseguir com as reformas de Estado e econômicas exigidas pelos parceiros da União Europeia. Sem liquidez e sem os recursos adicionais, o governo grego já informou que não terá como honrar os pagamentos, devendo anunciar uma moratória unilateral. 

A situação é ainda mais grave aos olhos dos investidores porque, em 16 de junho, vence uma nova parcela de dívida com o FMI, no valor de  450 milhões. Em 20 de julho, o valor será de  3,5 bilhões. Só a dívida do mês atingirá  5,55 bilhões. Logo, mesmo que o valor da última parcela do empréstimo seja depositada na conta de Atenas, a falta de liquidez deve recomeçar no fim de julho. Em agosto, haverá novo pagamento, desta vez de  3,2 bilhões ao BCE, além de mais  1,5 bilhão em setembro devidos ao FMI. Nas bolsas de valores, é consenso que a Grécia, além de um acordo sobre a liberação da parcela, precisa reescalonar a dívida.

Queda. Nesta segunda-feira, o resultado do temor se fez sentir em todas as capitais. Na Bolsa de Valores da Grécia, o índice FTSE/Athens 20 caiu 4,49%, após perder mais de 6% durante o dia. Na Espanha, o Ibex 35 perdeu 1,7%, enquanto o DAX, de Frankfurt, caiu 1,8%. Em Paris, o CAC40 se desvalorizou em 1,7%, enquanto em Milão o FTSE MIB caiu 2,4%. O índice europeu Euro Stoxx 50 caiu 1,85%. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 0,6%, enquanto o Ibovespa, em São Paulo, recuou 0,39%.

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