Crise na oferta de alimentos é passageira, diz Lula

Presidente reitera que não há perigo e diz que País pretende aumentar produção de trigo para conter preços

Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

25 de abril de 2008 | 13h09

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 25, que a crise na oferta de alimentos, que também atinge o Brasil, "é passageira, não é coisa perigosa". Segundo ele, a produção de alimentos, não apenas no Brasil, mas no mundo todo, não cresceu proporcionalmente à demanda.  Veja também:Alimentos triplicam alta e IPCA-15 mais que dobra em abril ONU alerta para crise global real com alta de alimentosEspecial: Entenda a crise dos alimentos  Câmara Setorial de Arroz descarta a possibilidade de desabastecimento   Abitrigo estima que o preço continuará subindo nos próximos meses  "Esta é uma crise curta", reiterou, dizendo que isto vale para o arroz, para a soja e o feijão. No caso do trigo, como o Brasil depende de outros países, como a Argentina, Lula disse que o País estuda aumentar a produção deste grão. "Vamos produzir mais trigo e depender menos dos outros países", declarou Lula durante anúncio de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Campinas. Falando a uma platéia composta, em sua maioria, por populares que serão beneficiados pelas obras do PAC na região, Lula disse que era importante o povo saber que a inflação causada pela alta nos preços dos alimentos está ocorrendo porque "tem mais pobres comendo, graças a Deus".  Ele destacou que em sua gestão o Brasil deixou de ser subserviente e "coitadinho" para se tornar uma grande potência exportadora de alimentos e manufaturados e produtora de alimentos e biocombustível. E na sua avaliação isso vem incomodando os países desenvolvidos.  "O Brasil está começando a disputar com eles. Se tem um país que cresce todo o ano a produção de grãos, é o Brasil", disse. No discurso, Lula voltou a usar uma metáfora futebolística para dizer que quando um jogador começa a marcar muitos gols, ele passa a ser marcado duramente pelos adversários. "O mundo vai perceber que o gigante adormecido chamado Brasil acordou. Não para ser prepotente, mas para ser respeitado. Não queremos mais ser considerados um país emergentes", declarou. Biocombustíveis Ao falar na crise dos alimentos, Lula aproveitou para criticar duramente os países que vêm condenando o aumento na produção de cana-de-açúcar destinada ao etanol, sobretudo os Estados Unidos. "Este país era considerado de terceiro mundo e não era respeitado lá fora. Mas fizemos a revolução da indústria automobilística mundial com o biocombustível e isso eles não admitem", disse. Ele classificou de "mentiras deslavadas" as afirmações feitas no exterior de que a crise dos alimentos está sendo provocada pela estratégia brasileira de privilegiar a produção de etanol. E atacou diretamente os Estados Unidos: "Eles resolveram fazer álcool de milho que é comida de galinha e porco. Se é reação animal, não pode fazer combustível". O presidente disse que pretende comprar esta briga e provar ao mundo que é possível o Brasil produzir alimentos e etanol. Apontando para a própria barriga, Lula disparou: "seríamos ignorantes se não enchêssemos o nosso tanque para encher o tanque do carro. Vamos produzir álcool, biocombustível e alimentos, inclusive para encher a barriga de quem não tem terra para plantar". Na defesa veemente que fez do etanol, Lula disse que ninguém critica o petróleo, que subiu muito de preço nos últimos meses. "E por que criticam lá fora o biocombustível, que é uma revolução e não polui", questionou.

Tudo o que sabemos sobre:
AlimentosInflaçãoBiocombustíveis

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.