Crise na UE eleva custo do endividamento de empresas

Empresas da Europa, países do centro e do leste e até os bancos do Reino Unido já começam a sofrer nas bolsas os efeitos da crise nos mercados de dívidas. Mesmo companhias dos países mais resistentes, como Alemanha e França, vêm sendo atingidas.

ANDREI NETO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h03

É o caso da Deutsche Telekon e da France Telecom, da Renault e da Peugeot. Nas últimas semanas, o índice Iboxx, que mede o custo do financiamento "teórico" dos emissores em euros aumentou de 4,41% a 4,86%, em sinal de contágio de toda a economia da Europa pela turbulência.

Segundo a agência Standard & Poor's, a nota média das empresas europeias caiu de A- para BBB+ nos últimos meses. A elevação do risco ainda não é considerada preocupante, mas é sintoma de que a doença contamina todo o bloco. O problema tem origem no envolvimento crescente das empresas com obrigações, que são uma alternativa à escassez ou ao custo do crédito elevado no sistema financeiro.

Relatório da agência Fitch, citado ontem pelo jornal francês Les Echos, indica que 73% das dívidas de grandes companhias europeias no ano passado envolvia o mercado de obrigações. Ainda segundo a agência, grandes grupos da Alemanha e da França são os destaques entre as maiores empresas da Europa, do Oriente Médio e da África, que terão de refinanciar o equivalente a US$ 700 bilhões até 2015.

Não bastasse o contágio na zona do euro, o Reino Unido também começa a enfrentar dificuldades. Ontem, o Banco da Inglaterra - o BC britânico - publicou pesquisa com agentes financeiros sobre risco sistêmico. O documento adverte que o desaquecimento da economia da ilha e a crise das dívidas já ameaça o desempenho dos bancos, os mais afetados da UE na crise de 2008.

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