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Crise na UE volta a derrubar mercados

Indefinição em relação à situação da Grécia na cúpula da União Europeia provoca temor de contágio às economias da Itália e da Espanha

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Temores de que o contágio da situação na Grécia se espalhe pela Espanha e pela Itália e a falta de acordo na cúpula da União Europeia sobre como lidar com os déficits sem precedentes no bloco derrubaram os mercados e aprofundam a crise da dívida na Europa.

Ontem, o continente anunciou um freio na recuperação. Além disso, há uma nova onda de turbulências diante do temor de que a crise não estaria limitada às economias periféricas e começaria a ameaçar a terceira e a quarta maiores economias do bloco - Itália e Espanha.

O epicentro dos problemas continua ser a Grécia, mas analistas admitem que a crise pode estar se alastrando. Nem a criação de um fundo de US$ 1,1 trilhão para bancar crises teria acalmado os mercados.

As bolsas de todo o mundo, especialmente na Europa, sofreram duras perdas e o euro atingiu seu ponto mais baixo em relação ao dólar em dois meses. A Bolsa de Milão caiu 3,3%; Paris, 2,1%; Frankfurt, 2,0%; e Londres, 1,89%.

A nova turbulência eclodiu depois que a cúpula da UE revelou que não há acordo em relação à Grécia. Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, abandonou uma reunião depois que participantes insistiram na possibilidade de reestruturar a dívida grega.

Se não bastasse a situação na Grécia, a indefinição da Europa gerou temores de que a crise possa chegar à Espanha e à Itália. O governo de José Luiz Rodriguez Zapatero sofreu sua pior derrota eleitoral em 30 anos no fim de semana e foi punido por tentar aplicar uma política de austeridade para tranquilizar os mercados.

A oposição já pediu a renúncia de Zapatero e, agora, o maior temor dos mercados é que, com o fim da eleição, governos regionais mostrem o tamanho real do déficit que enfrentam. Outro temor é de que não haja mais espaço político na Espanha para concluir o plano de austeridade e reduzir a dívida de quase 10% em 2010 para 3% em 2013.

A própria UE admitiu que não teria como resgatar um país do tamanho da Espanha. Ontem, os temores voltaram a assustar a zona do euro e investidores tentavam se desfazer de papéis da dívida espanhola.

No caso da Itália, a agência Standard & Poor"s alertou sobre os riscos na economia do país e revisou para baixo suas previsões. Ontem, o governo de Silvio Berlusconi foi obrigado a anunciar que estava preparando novos cortes para os próximos dois anos no valor de 5 bilhões e tem como meta equilibrar as contas até 2014. A Itália tem uma dívida equivalente a 120% de seu Produto Interno Bruto (PIB) e, em 2011, deve crescer apenas 1%.

"Parece que está tudo se desfazendo mesmo", afirmou Paul De Grauwe, economista e assessor do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. "A história nos mostra que não podemos cortar déficits em meio a uma recessão."

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