Crise não afetará nova política industrial, diz ministro

"Não estamos fazendo mais ou menos desonerações tributárias por causa da crise", afirma Miguel Jorge

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

19 de março de 2008 | 18h50

A crise internacional não afetará as medidas de política industrial que estão sendo elaboradas pelo governo. A garantia foi dada ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. "Não estamos fazendo mais ou menos desonerações tributárias por causa da crise. Estamos trabalhando com um mesmo conceito desde dezembro." Segundo ele, a política industrial será lançada entre 7 e 9 de abril e vai abranger 25 setores econômicos. Miguel Jorge, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estiveram reunidos ontem à noite para discutir as medidas de redução de tributos que estão sendo analisadas pela Receita Federal. A política industrial também vai trazer linhas de crédito mais baratas e utilizará a capacidade de compra do governo para estimular a fabricação nacional de produtos essencialmente importados. "Não vamos inventar a roda. É um trabalho de coordenação de várias políticas de governo." Segundo o ministro a nova política fixará algumas metas, como, por exemplo, elevar os investimentos ao equivalente a 21% do PIB em 2010. As exportações no mesmo período devem alcançar 1,25% do mercado mundial, o que, em números de hoje, representaria cerca de US$ 200 bilhões. Miguel Jorge disse "que não há possibilidade" de a balança comercial apresentar déficit comercial em algum mês neste ano. Mesmo com a crise internacional, ele reafirmou a previsão de exportações de US$ 180 bilhões em 2008.  Assistencialismo Ele garantiu que a política industrial não será assistencialista nem servirá de hospital para empresas com dificuldades. O setor automotivo será um dos contemplados, para aumentar sua capacidade de produção para 5,5 milhões de veículos em 2010, muito superior à atual, de 3,5 milhões de unidades, que já está esgotada, segundo Jorge. O ministro ponderou que a crise internacional força o governo brasileiro a trabalhar mais para incentivar as exportações, o que dá mais importância à elaboração da política industrial. Segundo ele, mesmo já tendo havido uma redução das exportações aos Estados Unidos no ano passado, o comércio exterior brasileiro poderá sentir o impacto de uma maior recessão americana.  Ele, no entanto, afirmou que a política industrial não tem o objetivo de eliminar possíveis déficits no balanço de pagamentos (entrada e saída de recursos do País). Alguns analistas apostam em um déficit já em 2009, por causa da queda no superávit da balança comercial. Já Luciano Coutinho acredita que a queda nos preços das commodities sentida nos últimos dias pode afetar as exportações, mas de forma moderada. "Ainda assim, só retrocederia para o patamar (de preço) do ano passado."

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