Crise não afetará política industrial, diz Miguel Jorge

Ministro discute redução de tributos e mantém projeção de exportações em US$ 180 bilhões

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2008 | 00h00

A crise internacional não afetará as medidas de política industrial que estão sendo elaboradas pelo governo. A garantia foi dada ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. "Não estamos fazendo mais ou menos desonerações tributárias por causa da crise. Estamos trabalhando com um mesmo conceito desde dezembro." O ministro disse que a política industrial será lançada entre 7 e 9 de abril, vai abranger 25 setores econômicos e terá cerca de 50 medidas.Segundo ele, uma nova reunião para discutir política industrial foi marcada para a próxima quarta-feira. A idéia, informou, é que a proposta esteja pronta até a sexta-feira da próxima semana para ser apresentada ao presidente Lula. Miguel Jorge afirmou que ainda não há um montante de desonerações tributárias dentro da política industrial. Ao ser questionado se a Receita Federal estaria colocando obstáculos, o ministro respondeu: "Ela está criando os obstáculos que deveria. Nem mais, nem menos".Miguel Jorge, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estiveram reunidos ontem à noite para discutir as medidas de redução de tributos que estão sendo analisadas pela Receita Federal. A política industrial também vai trazer linhas de crédito mais baratas e utilizará a capacidade de compra do governo para estimular a fabricação de produtos essencialmente importados."Não vamos inventar a roda. É um trabalho de coordenação de várias políticas de governo." Segundo o ministro, a nova política fixará algumas metas, como, por exemplo, elevar os investimentos ao equivalente a 21% do PIB em 2010.As exportações no mesmo período devem alcançar 1,25% do mercado mundial, o que, em números de hoje, representaria cerca de US$ 200 bilhões. Miguel Jorge disse "que não há possibilidade" de a balança comercial apresentar déficit comercial em algum mês neste ano. Mesmo com a crise internacional, ele reafirmou a previsão de exportações de US$ 180 bilhões em 2008. Miguel Jorge garantiu que a política industrial não será assistencialista nem servirá de hospital para empresas com dificuldades. O setor automotivo será um dos contemplados, para aumentar a capacidade de produção para 5,5 milhões de veículos em 2010, muito superior à atual, de 3,5 milhões de unidades, que já está esgotada, segundo Jorge.O ministro ponderou que a crise internacional força o governo brasileiro a trabalhar mais para incentivar as exportações, o que dá mais importância à política industrial. Segundo ele, mesmo com uma redução das exportações aos Estados Unidos no ano passado, o comércio exterior brasileiro poderá sentir o impacto de uma maior recessão americana. FRASESMiguel JorgeMinistro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior"Não estamos fazendo mais ou menos desonerações tributárias por causa da crise. Estamos trabalhando com um mesmo conceito desde dezembro""Não vamos inventar a roda. É um trabalho de coordenação de várias políticas de governo"

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