Crise não afetou negociações salariais, aponta Dieese

Estudo mostra que 96% das negociações conseguiram reajustes iguais ou acima do INPC acumulado em 12 meses

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

26 de junho de 2009 | 18h24

A instabilidade econômica causada pela crise financeira internacional não causou impacto nas negociações salariais entre sindicatos trabalhistas e patronais, mostrou nesta sexta-feira, 26, avaliação técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

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Com base na análise de cem acordos coletivos fechados nos cinco primeiros meses do ano, a instituição observou que 96% das negociações conseguiram reajustes iguais ou acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses. De janeiro a maio de 2008, época anterior ao agravamento da crise, a recomposição foi de 89%.

 

O estudo ainda aponta recuo em negociações que chegaram a reajustes inferiores à inflação do período, passando de 11% em 2008 para 4%, em 2009. Entre os reajustes acima das perdas geradas pelo aumento dos preços, houve pouca oscilação no período: de 77% em 2008 para 78% em 2009.

 

Os acordos que apenas zeraram a inflação passaram de 12% em 2008 para 18% em 2009. Os técnicos do Dieese dizem que a maior parte dos acordos, fechados tanto abaixo como a acima da inflação registrada no período, aproximaram-se do INPC registrado na época.

 

Setores

 

Na análise de reajustes concedidos a diferentes setores da economia, o resultado foi bastante heterogêneo. Na indústria, por exemplo, o porcentual de ganhos salariais acima da inflação sofreu ligeira redução, variando de 86% para 83% nos mesmos períodos de análise.

 

O segmento de prestação de serviços reduziu de 14% para 4% o porcentual de categorias que tiveram perda salarial com o aumento da inflação e registrou aumento de 71% para 78% nas faixas que conquistaram aumento do poder de compra no período.

 

Os analistas do Dieese apontam como fatores responsáveis pela melhora nos reajustes de salários a queda da inflação no início do ano e o aumento das pressões sindicais. Contudo, eles ressaltam que a análise é somente dos reajustes conquistados no período, sem levar em conta os reflexos da crise no nível de emprego. Neste caso, houve profunda queda nos setores exportadores e naqueles que dependem de crédito interno e externo.

 

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